Crítica: Agridoce, 9-1-1 usa Season Finale para se preparar para a 2ª temporada

A Whole New You 9-1-1
A Whole New You 9-1-1

Imagem: Fox/Divulgação

Um felizes para sempre, com exceções

Quando 9-1-1 entrou no ar em janeiro, muitos críticos e “especialistas” afirmaram que era mais um procedural que não duraria mais do que alguns episódios. A audiência seria ruim e a Fox teria que pensar em algo barato para tapar o buraco até Empire retornar ao ar. Na Season Finale da primeira temporada e com o drama já renovado, posso dizer que apesar de reciclar diversas ferramentas, conceitos e artimanhas de programas consagrados, 9-1-1 é tudo menos uma série qualquer. Os responsáveis por essa jabuticaba? Ryan Murphy, Tim Minear e o restante da equipe que revolucionou o FX.

A Whole New You 9-1-1.1

Imagem: Fox/Divulgação

Durante todos esses dez episódios vimos os roteiristas beberem na fonte da vida real em praticamente todos os momentos. Tais casos foram uma das razões pelas quais o drama conseguiu sobressair-se dos demais.

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Foi um material único, diversificado e uma forma muito fresca de retocar um gênero tão surrado na TV aberta. Os personagens, apesar de pouco desenvolvidos, conseguiram se relacionar com o telespectador. O bonitinho cujo vício em sexo lhe tornava um péssimo homem de compromissos; o líder do grupo que a vida privada virou pó; as mulheres negras que enfrentam desafios impressionantes com relacionamentos disfuncionais e muito mais. Uns diriam que é uma cópia do manual Shonda Rhimes de fazer televisão, eu digo que é um recorte de uma América cada vez mais diversificada.

Em relação ao Season Finale é possível identificar alguns probleminhas. Além da marca do acidente de Chuy ter movido um pouquinho para direita, algumas resoluções beiraram o ridículo. Athena viu o marido se assumir gay e a filha tentar se matar. Como ela termina aqui? Sorrindo e jogando seus problemas para frente. Bobby carrega uma culpa desproporcional pela morte da família, sem contar com seus problemas de bebida. Como ele se despede? Tentando encontrar outro amor num site ridículo de relacionamentos. A pouca explorada Hen começou com problemas de relacionamento e termina com eles (quase) resolvidos. Tem que continuar?

Coração partido

Não estou clamando por uma conclusão cheia de reviravoltas e revelações bombásticas. Se for assim, Dynasty é muito mais interessante. O que pretendo com 9-1-1 é mais atenção ao básico, que um personagem possa ter direito de ver sua história ter um começo, um meio e um fim. Sem puxadinhos ou tentativas de distrair o telespectador. Seria pedir muito? Acredito que não, principalmente num momento onde a TV aberta precisa se preocupar em qualidade ao invés de quantidade.

Por fim, vamos para a pior parte – o casal formado por Abby e Buck. Em alguns momentos, saudei o roteiro pela sabedoria em dar atenção e destaque para um casal não convencional. A ideia de vermos um relacionamento em que a mulher é mais velha do que o homem é tão inexplorada que quando um roteirista pensa em algum assim, temos a ABC exibindo Cougar Town. Com isso, não gostei de como eles resolveram essa narrativa.

Duvido muito que os roteiristas não sabiam que Connie Britton não voltaria para segunda temporada. Então qual a finalidade de segurar o casal até o último episódio e em seguida desfaze-lo? Insegurança? E a desculpa em dizer que a “estou perdida e preciso me reencontrar na Irlanda” é ridícula. E porque? A personagem estava perdida desde o piloto.

Mesmo assim, 9-1-1 merece atenção, e nos encontramos em setembro para os 16 episódios da segunda temporada.

Até a Fall Season!

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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