Crítica: com apelo à espionagem, Pennyworth desperta interesse em estreia

“Espere, Sr. Wayne”

Já não é de hoje que a televisão americana tem explorado ao máximo os universos dos quadrinhos, buscando a curiosidade de fãs mais fiéis e testando histórias diferentes do cânone ou ausentes nele. Sem dúvidas, o universo do Batman é o que mais vivencia essa abordagem, dado o resguardo da DC com seu mais rentável personagem.

Em Pennyworth, certamente, temos a mais ousada tentativa da Warner/DC em contar uma história de um coadjuvante. Entretanto, a aposta já parte, corretamente, do carinho que a maioria dos fãs guarda pelo famoso mordomo de Bruce Wayne, e pela curiosidade em torno de seu passado, pouco mencionado nos quadrinhos.

Navegando pela Londres de metade do século XX, a série mostra um ambiente de espionagem e ação, enquanto procura aprofundar a personalidade do futuro mordomo dos Wayne. De certo modo, Pennyworth usará a fórmula de Gotham para contar a história de um personagem (ou talvez dois?).

O passado militar de Alfred

Uma menção comum dos quadrinhos diz respeito ao passado de Alfred envolver experiências com serviço secreto ou com o exército britânico. Isso, principalmente, explicaria suas habilidades como assistente de Bruce Wayne nas atividades de vigilante.

No piloto de Pennyworth, vemos os dois lados da experiência militar do protagonista. Por um lado, temos mostras de suas impressionantes habilidades, dignas de filmes do agente James Bond. Por outro, são apresentados os traumas do que viveu durante a guerra. Além dos traumas e habilidades de Alfred, porém, também somos apresentados ao seu grupo de companheiros de exército, que promovem importante e divertida interação com o protagonista. Tanto Bazza quanto Dave Boy entregam boas atuações e mostram um lado pouco conhecido de Alfie.

A família Pennyworth

Outro ponto interessante da série consiste em conhecermos a família Pennyworth. Nesse núcleo, temos contato com o pai e a mãe de Alfred. Acima de tudo, seus pais são apresentados como pessoas mais tradicionais, preocupados com o futuro do filho.

Além disso, os diálogos com seus pais também demarcam o característico humor do futuro mordomo. Tal fato acaba gerando divertidas cenas e referências aos quadrinhos. Exemplo disso, em suma, é o diálogo em que Alfred diz querer ser “chefe de si”, levando a uma tensão questionando o trabalho do pai.

De maneira similar, uma cena ao final do episódio mostra que os Pennyworth não são somente velhinhos tradicionais, e podem, como o filho no futuro, surpreender com certas ações (e certo ímpeto!).

Esme e a vida em Londres

Nesse meio tempo, somos apresentados a Esme, uma jovem dançarina que busca alavancar sua carreira como atriz. Além de criar uma relação com o jovem Alfred, Esme coloca um contraponto a diversos aspectos da vida do protagonista. O questionamento ao uso da violência, o descompasso com a família, os planos para o futuro; finalmente, as visões de Esme fazem Alfred repensar certas convicções. Além disso, a personagem é parte fundamental ao movimento da trama.

Somado a isso, a relação entre Alfie e Esme é utilizada pela direção para explorar os espaços de Londres. Isso inclui tanto os charmosos parques quanto a realidade dos bairros operários e da vida noturna. Desse modo, a equipe de Bruno Heller se esforçou para deixar a capital londrina o mais próxima possível da lendária Gotham City.

Wayne e a Raven Society

O ponto mais arriscado do roteiro, sem dúvidas, foi a introdução da maior referência ao Cavaleiro das Trevas possível: Thomas Wayne. Portanto, a presença de um Wayne no episódio piloto poderia ser um risco, mesmo como uma simples referência. Imaginem, então, como o centro da trama?!

Logo no começo do episódio, porém, somos apresentados a Thomas Wayne, em um diálogo simples mas bem elaborado com Alfred. É impressionante como existe um modo característico de falar “Sr. Wayne” pela boca do personagem, e como isso já ativa a imagem da relação entre Alfie e Bruce no futuro. A trama de Wayne com a Raven Society, digna de filmes de espionagem, funcionou de maneira adequada. O desenvolvimento em si dos objetivos dessa sociedade secreta e seus interesses com a família Wayne não são tão interessantes, mas criam o terreno para conhecermos mais de Alfred.

Finalmente…

Finalmente, esse será realmente o ponto da série: descobrirmos como, nesse complexo caminho de espionagem e política, Alfred Pennyworth acabará como mordomo da família mais influente de Gotham City.

Com boas cenas de ação, diálogos divertidos e uma trama razoável, portanto, Pennyworth conseguiu chamar a atenção e gerar expectativa para o restante da temporada. Aos fãs do Cruzado Encapuzado, é a concretização de um desejo antigo.

Nota do Episódio "Pilot" de Pennyworth8
Crítica do primeiro episódio de Pennyworth, série da DC sobre a origem de Alfred Pennyworth - o mordomo do Batman.
8
Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

No comments

Add yours