Crítica: No 1×04 de 9-1-1, as referências de Grey’s Anatomy estão em todos os lugares

Imagem: Fox/Divulgação

Aula de roteiro de Shonda Rhimes nº 02

Quem realmente pensou que minha comparação entre 9-1-1 Grey’s Anatomy era desproporcional, peço que assistam Worst Day Ever. Porque derrubar um avião para promover dramas pessoais, criar heróis e impressionar me parece uma aula que Shonda Rhimes daria.

Todavia, não pensem que vejo tais estratégias como algo negativo. Muito pelo contrário. O roteiro acerta em promover essas histórias grandiosas, mas erra em não ter as ferramentas corretas e adequadas para tal. O resultado? Um gosto agridoce de um episódio que poderia ter dado super certo, mas que terminou como algo ok.

Imagem: Fox/Divulgação

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A ideia do avião foi ótima, o que é indiscutível. Seja pela maneira como o roteiro trabalha na “anatomia do desastre”, onde explorou as lambanças de muitos passageiros ou até mesmo nas histórias de cada um deles após a queda. A mãe que quase perdeu a vida para salvar o filho ou o casal que preferiu namorar ao invés de ficar em segurança, seja como for nós demonstramos empatia pelo sofrimento desses personagens fictícios, torcemos, ficamos apreensivo quando algo deu errado e em seguida vibramos quando tudo ficou bem. São emoções primárias que todo programa de televisão deveria transmitir, estou ciente disso, mas vamos concordar que ultimamente é uma vitória, não é mesmo?

Também gostei do passageiro cuja esposa estava grávida. Essa história não serviu para trazer a mensagem sofrida do “a vida é curta”, mas também para mostrar que mesmo com uma boa ideia, Connie Britton ainda segue no piloto automático. As expressões são as mesmas, não há nada de espontâneo ou de novo no trabalho de alguém que nos surpreendeu em Nashville Friday Night Lights. Tenho certeza, principalmente com aquele gancho no final, que as coisas vão melhorar. Espero que não demore.

Está brincando?

Quanto à personagem de Angela Bassett, continuo sem entender qual o objetivo da equipe criativa. Entendo a maneira na qual eles lidaram com o bullying, mostrando a reação errática e em seguida as consequências de tal forma maneira. A mensagem é boa, mas inepta porque o roteiro não seguiu em frente. O que aconteceu depois? A policial foi mesmo suspensa? E as relações da filha com as “coleguinhas”, como ficou? Infelizmente, essa continuação necessária foi ofuscada por um discurso desnecessário e demagógico da personagem no avião. Eu entendo e ratifico o que foi dito, mas foi impressionantemente avulso.

O maior problema do episódio? A precariedade dos recursos em construir uma cena de acidente minimamente crível. A impressão que tive ao assistir o desenvolvimento foi que fizeram com pressa, sem orçamento e sem conhecimento.

Não estou pedindo por uma recriação de Sully – O Herói do Rio Hudson, até porque a Fox não investiria tanto dinheiro num único episódio. Mas se o resultado final será algo ruim e que subestime a inteligência do telespectador, não faça.

É bastante uma dica bastante simples para os episódios futuros.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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