Crítica: The Loudest Voice é uma aula de comunicação e de história americana

The Loudest Voice

The Loudest Voice, nova minissérie da Showtime, é um aprendizado!

Quem lê minhas análises e resenhas aqui no Mix de Séries sabe que me incomoda profundamente a preguiça de certos telespectadores ao assistir determinado programa. Fez maratona de House of Cards, mas não sabe o que é ‘colégio eleitoral’, ou o que vem a ser uma ‘convenção aberta’. Lembra de uma cena poderosa de Scandal, mas não sabe sua origem?

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Trago verdades ao leitor que preencher esse perfil: primeiro estude, aprenda e só então reclame. Essas produções são feitas por americanos e para americanos. Nós quem destoamos e adoramos acompanhar uma série estrangeira. Dito isso, vamos ao que interessa: The Loudest Voice. Será que merece seu tempo e atenção? Com toda a certeza.

The Loudest Voice

Imagem: Showtime/Divulgação

Minha expectativa em relação a The Loudest Voice era altíssima, embora não tenha adquirido e/ou lido o livro de Gabriel Sherman que inspirou a produção. Contudo, sou grande fã do seu trabalho. Confesso inclusive que sou tão fã do seu trabalho que assino a Vanity Fair há dois anos no intuito de, entre outras coisas, ler suas colunas e ser o primeiro a ler seus furos. Além disso, também acompanho-o sempre quando aparece em algum programa da MSNBC (principalmente aquele apresentado por Nicole Wallace).

Uma aula em seis episódios

Sabendo da história e tendo uma boa ideia da forma na qual Gabe faz seu trabalho, acredito que The Loudest Voice é um acerto em todos os sentidos. Primeiramente falaremos do que mais importa: o roteiro. Embora não possa comentar a qualidade da adaptação, acredito que o showrunner esforçou-se o máximo para fazer um bom trabalho. Tal vigor fica evidente nos diálogos. Eles são densos, inteligentes, avessos a clichês e um humor negro (ácido) que nos leva para os bastidores do poder e da notícia com maestria.

Outra qualidade importante é a ausência de cenas explicativas. Há diversas oportunidades para interromper o ritmo delicioso da narrativa e situar a audiência, mas o roteiro resiste essa tentação e persiste na sua missão. O telespectador que não sabe o que está acontecendo, ficará perdido desde o princípio, fazendo com que retorne ao meu ponto inicial da necessidade em saber o mínimo daquilo que se pretende assistir.

A direção mostra-se capaz de comandar um elenco não só grande de tamanho, mas também de ego. Sabe-se do melhor enquadramento, da melhor forma de apresentar essa história, assim como em tirar o melhor dos atores. Acredito que um dos grandes méritos da equipe encarregada da direção foi de focar nas cenas dramáticas, intensas e que requerem ainda mais preparo dos atores. Naomi e Russell foram os grandes destaques dessa minissérie justamente por essa escolha sábia da direção em destaca-los.

Tudo funciona

The Loudest Voice

Imagem: Showtime/Divulgação

Falando em atores, também menciono Siena Miller e Seth MacFarlane, que interpretaram personagens secundários, mas que são fundamentais para a história. Esses podem não ser o trabalho das suas carreiras, mas certamente  é um daqueles trabalhos na qual pode-se orgulhar. Ambos têm cenas espetaculares, há de se ressaltar, embora Naomi fique na nossa memória pelo seu trabalho de composição incrível da heroína Gretchen Carlson.

É verdade que o formato não permite o roteiro, a direção e os produtores de irem ainda mais fundo na história. Há um livro para seguir e um formato Dividir a primeira temporada em períodos específicos, faz com que o telespectador entenda o porquê essa história precisa ser contada, assim como a razão pela qual Donald Trump apoia-se (ou pelo menos apoiava-se) na Fox News para manter sua base sólida e fiel.

Em suma

The Loudest Voice é um dos maiores acertos da televisão em 2019. A minissérie traz um conteúdo que precisamos assistir em tempos tão turbulentos e incompreensíveis. As performances são memoráveis, com destaque para Naomi Watts. Ainda sim, o trabalho de maquiagem é impressionante. Há uma transformação surreal em Russel Crowe, reforçando a extrema qualidade dos profissionais. O departamento merece todos os prêmios que venha a ganhar em 2020.

A Paris Filmes lançará O Escândalo em 2020 no Brasil, cujo trailer nós trazemos abaixo. A história é ampliada no que se refere aos personagens (Megyn Kelly em específico, cuja interpretação será de Charlize Theron). Então te convido a assistir e lembro que vou adorar ler seus comentários sobre a minissérie, assim como meu texto.

Nota da Minissérie10
10
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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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