Final: Malhação mostrou as diferenças sem “mimimi” e se reconectou com público

Imagem: TV Globo/Reprodução

Último capítulo foi ao ar nesta segunda (05)

Assim como muitas pessoas da minha geração, (sou da Y, nem preciso dizer o ano, hehe), eu cresci vendo Malhação. E como muitos também, eu não me reconhecia no programa. Amava, mas não me via. Nem enxergava a minha realidade, dificuldades ou dramas.

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Estudei a minha vida toda em escola pública, então era realmente fácil não se ver ali no meio daqueles adultos se fazendo de adolescentes e lotados de white people problems. Não convencia. E com o tempo fui largando.

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Mas eu tinha um sonho – sim, esse pessoal que faz review é estranho mesmo – de ver uma Malhação que falasse de “nós”, os pobres mesmo, classe C, “perifa”, os mortadelas que só podem fazer facul se for por bolsa ou federal ou aquelas beeem baratas. E sem saber que era impossível, Cao Hamburger (sim, dono e proprietário do Castelo Ra Rim Bum) foi lá e fez. E aí eu me vi, e a audiência se viu.

Tchau clássico casal protagonista. Quem mandou na história foram cinco meninas beeem diferentes. Tchau “draminhas” fake de uma classe média que não é real. E sejam bem-vindos temas latentes como racismo, homofobia, assédio, bullying, violência, alcoolismo, homossexualidade, feminismo, autismo, desigualdade social. Tchau escola privada como foco, oi escola pública. Bye Rio de Janeiro, olar São Paulo.

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Em um tempo onde tanta novela derrapa na hora de conquistar a audiência apostando em histórias ridículas (alô O Outro Lado do Paraíso), Malhação discutiu as diferenças da nossa vida sem ser chata ou panfletária. Sem barriga, tudo que foi abordado serviu perfeitamente no roteiro e funcionou muito bem com a audiência, com médias de 20 pontos no Ibope – algo que a novela não alcançava desde 2009.

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No meio de tanto acerto, os personagens também foram destaque…

Não foram só as FIVE – ou Garotas do Vagão que brilharam: Tina, Benê (que merece um parágrafo só dela), Ellen, Keyla e Lica. Também lembraremos muito de Tato, Guto, Anderson, K1, K2 e MB. Além dos pais que não foram nada óbvios, acrescentando várias discussões ótimas.

E Benê, hein? Portadora da Síndrome de Asperger, transtorno considerado um autismo leve, ela entra direto para a galeria dos grandes personagens da dramaturgia brasileira. Mérito do texto e da atriz, a incrível Daphne Bozazki. Sincera e verdadeira, Benê é uma poesia, e dona de vários momentos inesquecíveis.

Mais do que uma história bem contada sobre tolerância e representatividade, Viva a Diferença mostrou que roteiro é tudo sim, e que é isso que o povo quer ver. Nunca um título foi tão perfeito. Uma temporada incrível, um divisor de águas. Um antes e depois para um programa que tinha perdido a relevância.

Foi o Brasil real na tela da Globo, que coisa, não? E foi demais!