Heels estreou quase como sem pretensão nos Estados Unidos pelo Starz neste último domingo, 15. No Brasil, também chegou simultaneamente pelo Starzplay – streaming quase que esquecido pela maioria, mas que guarda ótimos títulos.
Quando anunciaram a produção de Heels, eu não me animei, confesso. Pensei que seria uma série boba, ou daquelas que fossem queimar basicamente todos os seus cartuchos no piloto. Mas a série me surpreendeu de forma positiva, construindo uma narrativa que tem tudo para se tornar uma das melhores coisas na TV. Aliás, em um recente artigo, a Variety, uma das revistas mais conceituadas da televisão americana, fez exatamente este apontamento.
Mas afinal, o que Heels tem de sensacional?
Uma história simples, mas que envolve
Em Heels, temos Stephen Amell – ator que ficou preso oito anos interpretando um herói engessado em Arrow. Aqui, ele vive Jack Spade, o irmão mais velho encarregado de manter a Duffy Wrestling League ativa, que mantém um bando de lutadores e leva o nome da cidade fictícia da Geórgia. A DWL é uma empresa familiar, lançada e administrada pelo pai de Jack, Tom (David James Elliott), e então rapidamente passada para Jack após a morte do patriarca por suicídio.
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Parecia um caminho natural para Jack viver para escrever os roteiros surpreendentes do DWL e gerenciar o clube de lutas. Só que em seu caminho surge seu irmão mais novo, Ace, interpretado pelo ex-Vikings, Alexander Ludwig. Aliás, o ator em Heels consegue se mostrar completamente diferente do papel que fez em Vikings, atuando como um homem que está destinado a grandeza. Embora viva em uma cidade pequena, atuando em um clube de luta – o que o torna compreensivelmente mal-humorado.
Ace e Jack, portanto, batalham no ringue, a partir dos roteiros escritos pelo irmão mais velho. Mas a atenção está mesmo na disputa de egos que os dois travam nos bastidores, confrontando sobre o que é certo o que é errado para a família.

Heels é uma excelente pedida
Heels basicamente não se prende a ser um drama de wrestling. E isso faz com que a série, para alguns, seja até mesmo arrastada. No entanto, isso nada mais é do que um trunfo do criador Michael Waldron (“Loki”), que se preocupa em gastar uma boa quantidade de tempo do primeiro episódio preso em diálogos e, ao mesmo tempo, ensinando o público alguns termos importantes como “kayfabe”.
Além disso, ele também mostra como que a luta é algo que move a cidade e faz, do personagem de Ace, quase que um “herói nacional”.
Avançar pela história de Heels é interessante porque entendemos que há um conflito bastante profundo entre Jack e Ace. Então, o que move essa raiva? Seria inveja ou ódio familiar? A narrativa trata de ir, aos poucos, explicando estes elementos, enquanto vamos fazendo alusão aos problemas através nas lutas dos ringues.
Outro ponto é que Ace quer, sem dúvidas, subir. Ele quer alcançar um ponto que talvez seja impossível, se ele ficar somente preso à narrativa que Jack está disposto a criar para ele. Mas como ele vai sair disso? Seria possível ele criar asas e se ver livre deste cordão, achando sua própria personalidade? Ou esse sucesso só aconteceu devido ao que Jack fez por ele?
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Por mais interessantes que sejam essas ideias, elas só podem levar a história à medida que o público investe nelas, portanto, um esforço considerável gasto na sombra dos irmãos Spade, em detrimento do conjunto muito mais intrigante. A tensão entre Jack e Ace parece sobrecarregada. E cada cena passada assistindo Jack e sua esposa Staci (Alison Luff) reclamando sobre finanças tensas parece um tempo que poderia ter sido melhor gasto com jogadores de segunda mão como Rooster (Allen Maldonado) e Crystal (Kelli Berglund), que enfrentam riscos mais imediatos.

Heels lembra até mesmo Friday Night Lights
A fotografia e direção de Heels são aspectos que mais chamam atenção daquele que se atenta aos detalhes. Somado a uma trilha sonora pacífica, é quase como se tivéssemos assistindo a uma versão mais adulta de Friday Night Lights. Embora os conflitos adolescentes da popular série se reflitam aqui na disputa entre os irmãos.
Quando colidimos com esse mundo, encontramos Jack e Ace no aniversário de morte de um ano de seu pai. E a forma como a história transita entre as lutas no ringue e fora dele pode até mesmo confundir o espectador. Mas é especialmente necessária para criar um paralelo interessante sobre o que Heels está disposta a contar.
Se os atores de Vikings e Arrow deixam suas bagagens para trás ao construir personagens novos e intrigantes, cabe ao público se fidelizar à história e retornar semanalmente para conferi-la.
Mesmo que o primeiro episódio não gaste todos os trunfos da trama, como dito, é exatamente este o motivo que vale a pena continuar.
Heels estreará novos episódios todos os domingos, pelo Starzplay e pelo Amazon Prime Video (via Prime Channels).
E então, você vai conferir?
Nota: 5/5