O Código Bill Gates, doc série da Netflix, tenta desmitificar fundador da Microsoft

Imagem: Netflix/Divulgação.

Bill Gates é o foco da nova doc série da Netflix

O magnata Bill Gates é uma das pessoas mais famosas do mundo, mas ao mesmo tempo parece que o público não o conhece. Seu nome é conhecido mundialmente há décadas por dois motivos simples: primeiro, ele foi o rosto da Microsoft durante uma época em que os produtos da empresa se tornaram praticamente onipresentes. Além disso, talvez de forma óbvia, ele é muito, muito rico. No entanto, ele nunca foi o tipo de celebridade cuja vida pessoal e opiniões políticas tornavam-se temas de tabloides e mídias sociais. Bem como ao contrário do falecido Steve Jobs – seu rival contemporâneo e ocasional -, Gates raramente é envolvido em algum tipo de análise mistificável.

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Agora, na Netflix, Gates tornou-se foco de um novo documentário em três partes. Assim, “O Código Bill Gates” (Inside Bill’s Brain: Decoding Bill Gates) tenta abordar a opacidade do sujeito.

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A trajetória da série percorre um caminho que tenta desvendar o que faz uma das pessoas mais ricas do mundo funcionar? O que o moldou? Como ele chegou a dominar um setor tão competitivo, a ponto do governo dos EUA processar a Microsoft sob estatutos antitruste?

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Desvendando… mais ou menos

Guggenheim explora tudo isso… Bem, mais ou menos. O site The Verge, em recente publicação, analisou as três horas do documentário, e qualificou como o “básico da vida de Gates“, algo como ‘você não fez mais do que a obrigação’. Isso porque, a história cobre de maneira bem leve a sua infância, passa pela educação recebida, a administração da Microsoft, o casamento com sua esposa Melinda e a fundação de caridade que eles gerenciam.

No entanto, ainda de acordo com a publicação, parece que a Fundação Bill & Melinda Gates é o verdadeiro assunto deste documento. Isso porque cada episódio de O Código Bill Gates se concentra em uma das principais iniciativas da fundação: melhorar as condições de esgoto nos países em desenvolvimento, erradicar a poliomielite e desenvolver uma forma mais limpa e segura de energia nuclear. Outro detalhe é que cada uma das três partes muda rapidamente entre entrevistas, material biográfico e filmagens instantâneas das missões filantrópicas da equipe Gates. Ressalta=se que Guggenheim evita as transições tradicionais e, ao invés disso, fica pulando de assunto, mesmo quando não há qualquer conexão clara entre eles.

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Repetidores de pensamentos

No fim da jornada, o que se sente é que o documentário quer é replicar os processos de pensamento de Bill Gates. Depois de passar a maior parte de sua vida adulta (e até alguns de sua adolescência) manipulando vários projetos complicados, Gates não tem o tipo de mente que funciona em linhas retas e organizadas. A certa altura, Melinda até ri do título desta série, dizendo que o cérebro de seu marido é tão desordenado e caótico quanto o apartamento barato que ele dividiu com Paul Allen quando os dois estavam construindo a Microsoft.

O resultado, assim, torna-se frustrante. O diretor mostra várias histórias que se mostram interessantes, e que até poderia explicar por que a trama é lançada como uma série e não como um longa-metragem. Mas sempre que uma dessas histórias começa a ficar interessante, do ponto de vista narrativo, o documento pula para outra. E depois para outra e depois volta. Tudo isso faz com que a linha de raciocínio da série, sobre a linha de raciocínio de Bill, torne-se superficial.

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Documentário sobre Bill Gates na Netflix não conclui com sucesso sua intenção. Imagem: Netflix/Divulgação.

Além disso, completo. Todavia, palavras. Entretanto, 

De acordo com alguns artigos de análises, divulgados no final de semana, “O Código Bill Gates” corre o risco de perder seu público já no primeiro episódio, justamente por manter a biografia de Gates no mínimo, dedicando um texto extra aos projetos filantrópicos atuais. O The Verge aconselhou que os assinantes da Netflix, caso não tenham tempo, assistam apenas a um episódio de O Código Bill Gates – o segundo, que é o que mais se aproxima de “decodificar”.

As cenas que lidam com a filantropia de Gates ficam em segundo plano com reflexões sobre a década mais significativa de a vida dele. Na década de 1970, ele e seu colega de escola Paul Allen começaram a ganhar dinheiro com suas habilidades de programação e começaram a conversar sobre planos para desenvolver software para o crescente mercado de computadores pessoais. Gates saiu de Harvard em 1975, preocupado que, se esperasse até depois de se formar para lançar a Microsoft, chegaria tarde demais.

Neste segundo episódio, ainda, é mostrado o esforço sobrenatural de Gates para ter sucesso, o que, nos primeiros anos da Microsoft, o fez memorizar os números de placas no estacionamento da empresa para rastrear quem ficava até tarde. Os hábitos obsessivos de Gates acabaram gerando uma barreira entre ele e Allen, e o arrependimento óbvio que ele tem sobre como esse fim de amizade fornece alguns dos momentos mais emocionais do documentário.

No final, o documentário vale como passatempo. Mas é aquela dica para assistir apenas se você não tiver nada melhor para fazer… Todos os episódios estão disponíveis na Netflix.

Assista o trailer abaixo.