Parceiras no Crime, no Prime Video, traz boa dupla em um roteiro fraco

Confira o que achamos de Parceiras no Crime, série do Prime Video que estreia nesta quarta, 15.

Existe um tipo de série que já chega sabendo exatamente o que quer entregar. Ela não pretende reinventar o gênero, criar uma grande conspiração impossível de prever ou apresentar uma narrativa revolucionária. Seu objetivo é muito mais simples: colocar personagens carismáticos em situações absurdas e garantir algumas horas de diversão descompromissada. É exatamente esse o caso de Parceiras no Crime (Ride or Die), nova série do Prime Video que estreia nesta quarta-feira, 15 de julho.

Misturando ação, comédia e espionagem, a produção aposta todas as suas fichas na dupla formada por Hannah Waddingham e Octavia Spencer, duas atrizes que possuem carisma suficiente para sustentar praticamente qualquer roteiro.

O problema é que, apesar dessa excelente parceria, a série raramente encontra maneiras de surpreender. Ela funciona porque suas protagonistas são irresistíveis, não porque a história apresente algo realmente novo.

A amizade sempre foi a verdadeira protagonista

A premissa é simples, mas bastante eficiente. Em Parceiras no Crime, Debbie acredita conhecer absolutamente tudo sobre sua melhor amiga, Judith. As duas construíram uma amizade de décadas e compartilham praticamente todos os momentos importantes de suas vidas. Tudo muda, porém, quando Debbie descobre que Judith escondeu durante anos um detalhe nada pequeno: ela é uma assassina internacional.

A revelação coloca as duas no centro de uma conspiração que as obriga a fugir constantemente enquanto tentam descobrir quem está por trás da perseguição. À primeira vista, parece o início de um thriller de espionagem. No entanto, Parceiras no Crime deixa claro desde cedo que sua prioridade nunca foi a investigação ou os mistérios.

A série entende que o público está ali para acompanhar a dinâmica entre essas duas mulheres. Todo o restante existe apenas para colocar a amizade delas à prova. E, curiosamente, essa decisão funciona.

cena de parceiras no crime serie
Imagem: Prime Video.

Hannah Waddingham e Octavia Spencer carregam a série nas costas

Grande parte do sucesso de Parceiras no Crime passa pela química de suas protagonistas.

Hannah Waddingham interpreta Judith com uma elegância quase exagerada. Ela transita naturalmente entre cenas de ação, momentos dramáticos e situações cômicas, criando uma personagem que consegue parecer sofisticada e letal ao mesmo tempo.

Existe uma confiança muito natural na maneira como ela ocupa cada cena. Mesmo quando o roteiro segue caminhos bastante previsíveis, Judith continua sendo uma personagem interessante justamente porque Waddingham transmite segurança sem abrir mão da vulnerabilidade que o papel exige.



Ao seu lado, Octavia Spencer faz exatamente aquilo que sabe fazer melhor. Debbie representa o olhar do espectador diante daquele universo completamente absurdo. Ela reage com incredulidade, sarcasmo e desespero sempre que descobre uma nova mentira da amiga ou precisa escapar de mais uma situação impossível.

Seu timing para a comédia continua impecável.

É justamente essa diferença de personalidade que torna os diálogos tão divertidos. Enquanto Judith encara perseguições internacionais como parte da rotina, Debbie reage como qualquer pessoa comum faria: completamente perdida. Essa oposição cria boa parte do humor da série e impede que ela leve a si mesma excessivamente a sério.

A ação funciona, mas parece familiar demais

Visualmente, Parceiras no Crime entrega exatamente aquilo que se espera de uma produção do gênero.

As cenas de perseguição são bem dirigidas, os confrontos possuem boa coreografia e a viagem por diferentes países ajuda a dar dinamismo à narrativa. Existe um cuidado evidente na construção das sequências de ação, que mantêm um ritmo constante durante praticamente toda a temporada.

O problema aparece quando a série tenta transformar esses momentos em algo realmente emocionante. Quase todas as grandes reviravoltas parecem retiradas de outras produções semelhantes. O espectador reconhece rapidamente a estrutura: a missão que dá errado, a perseguição internacional, o aliado que talvez não seja confiável, as conspirações envolvendo organizações secretas e os conflitos internos entre as protagonistas.

Nada disso é necessariamente ruim. Entretanto, também não existe qualquer esforço para brincar com essas convenções ou subverter expectativas. Parceiras no Crime simplesmente percorre um caminho extremamente conhecido.

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Imagem: Prime Video.

O roteiro nunca acompanha o talento do elenco

Esse talvez seja o maior problema da série Parceiras no Crime. Quando Hannah Waddingham e Octavia Spencer dividem a tela, tudo parece funcionar naturalmente. As conversas fluem, as piadas acertam o tom e a amizade construída entre elas convence desde o primeiro episódio.

Entretanto, sempre que a narrativa precisa avançar, a produção começa a perder força.

As conspirações são relativamente previsíveis, muitos antagonistas parecem genéricos e diversos conflitos acabam sendo resolvidos exatamente da maneira que o público imagina desde o início.

A impressão constante é que o roteiro encontrou duas protagonistas excelentes, mas nunca descobriu uma história igualmente interessante para colocá-las. Isso faz com que boa parte da temporada dependa exclusivamente do carisma das atrizes.

Felizmente, elas conseguem sustentar esse peso durante bastante tempo.

O maior acerto está nas emoções, não na espionagem

Embora a série seja vendida como uma comédia de ação, seu aspecto mais interessante acaba sendo outro: Parceiras no Crime fala sobre confiança.

Durante toda a temporada, Debbie precisa lidar com a descoberta de que sua melhor amiga construiu uma vida inteira baseada em mentiras. Judith, por sua vez, precisa aceitar que esconder sua verdadeira identidade teve consequências profundas para alguém que sempre esteve ao seu lado.

É nesse conflito emocional que a série encontra seus melhores momentos.

As cenas em que as duas discutem amizade, traição, perdão e lealdade possuem muito mais impacto do que praticamente todas as sequências de ação. Isso acontece porque o relacionamento entre elas parece genuíno. O espectador acredita naquela amizade e, por consequência, se importa com os conflitos vividos pelas personagens.

O formato de oito episódios parece excessivo

Outro aspecto que pesa contra a produção é sua duração. Com oito episódios, Parceiras no Crime acaba repetindo algumas situações mais vezes do que deveria. Conforme a temporada avança, a sensação de déjà-vu começa a aparecer com frequência.

Os obstáculos mudam, os cenários também, mas a estrutura permanece praticamente idêntica. As protagonistas fogem, são perseguidas, descobrem uma nova informação e, então… Escapam novamente.

Essa repetição diminui parte da tensão e faz com que alguns episódios pareçam preencher espaço entre uma revelação importante e outra. Talvez uma temporada mais curta deixasse a narrativa muito mais dinâmica.

Vale a pena assistir?

Parceiras no Crime dificilmente entrará para a lista das grandes séries de espionagem dos últimos anos. Tão pouco na lista de melhores séries do ano.

Ela não possui a tensão de um thriller político nem a criatividade de produções que reinventaram o gênero recentemente. Sua história segue caminhos extremamente familiares e quase nunca consegue surpreender quem já assistiu a outras buddy comedies.

Ao mesmo tempo, seria injusto ignorar aquilo que a série faz muito bem.

Hannah Waddingham e Octavia Spencer transformam uma premissa bastante convencional em uma experiência divertida. As duas possuem uma química rara, sustentam praticamente todas as cenas e fazem com que o público permaneça interessado mesmo quando o roteiro claramente perde força.

No fim das contas, Parceiras no Crime entende exatamente o tipo de entretenimento que pretende oferecer. Ela não quer ser a próxima grande série de ação do Prime Video. Quer apenas proporcionar algumas horas leves, engraçadas e movimentadas ao lado de duas protagonistas extremamente carismáticas.

E, embora isso talvez não seja suficiente para torná-la memorável, certamente basta para fazer dela uma maratona agradável para quem procura uma produção despretensiosa.



Parceiras no Crime, no Prime Video, traz boa dupla em um roteiro fraco
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.
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