Rise desperta o melhor do autor Jason Katims, adicionando elementos envolventes

Imagem: NBC/Divulgação

Novo drama será exibido no horário de This Is Us na NBC.

Acompanho Jason Katims há um tempo. Posso dizer que seu texto já me encantava antes mesmo de saber que as séries de TV se tornariam a minha maior paixão, lá na época em que me debruçava sobre os mistérios de Arquivo Roswell no SBT. Posteriormente, ele me fisgou com Friday Night Lights, e mais recente com uma das minhas séries queridinhas – Parenthood (que ainda é meu drama familiar favorito, desculpe This Is Us).

O texto de Katims é de poucas formas, lapidado. Ele é cru em alguns aspectos. Mas é nesse sentido que ele se torna tão único e real. É por se aproximar das diversas realidades da vida que o autor concebe suas séries, e não é diferente com Rise, o novo drama musical da NBC.

Pois é, Rise é uma série musical. E eu odeio musicais. Com a rara exceção de Smash, que foi uma série que tinha a música como propósito, eu nunca me vi envolvido com essas produções. Mas Rise tem algo diferente. Ela está longe de ser uma Glee da vida, pelo contrário. Ela pega a essência juvenil de Friday Night Lights, para encontrar elementos que nos lembram a própria Smash, em termos de construção de uma peça teatral. OK, mas se ela lembra todas essas séries, então o que ela tem de original?

Rise se arrisca ao vincular a adolescência com temas tão atuais.

Do bullying à homossexualidade, das expectativas sociais à luta para se descobrir. Talvez, essa seja a chave do texto da série, que encanta logo de cara. Inspirada no livro Drama High, de Michael Sokolove, ela aparenta ter muito o que dizer.

Liderada por Josh Radnor (How I Met Your Mother) como o Professor Lou Mazzuchelli, a série já fez polêmica antes de estrear, ao mudar a sexualidade do protagonista de gay para hétero. Nas palavras de Katims, ele achou que criativamente ele poderia contar a sua história, ao inserir uma esposa e filhos, tudo a fim de aumentar a carga dramática. Claro, ele poderia fazer isso muito bem com um professor gay, mas a gente até releva isso, quando vemos que isso se torna pequeno perto das outras oportunidades que a série tem a oferecer.

Uma história de descobertas (e redescobertas).

A história de Mazzuchelli é interessante, e gostei da forma como funciona. Ele poderá ser um guia para estes jovens que precisam se descobrir, ao mesmo passo que o professor irá se redescobrir através de seus alunos.

Há uma necessidade de Lou entrar para o programa de teatro da escola de uma pequena cidade, uma vez que ele percebe o quão era preciso mudar certos aspectos. Lou enxerga o teatro como uma porta para poder orientar melhor estes jovens, uma vez que as aulas de inglês não tem chamado tanta atenção deles. Mas nem mesmo ele imaginava que poderia causar o início de uma revolução.

Lou estava ali para mostrar que papéis precisam ser invertidos. O coadjuvante precisa de chance para ser o protagonista, e vice-versa. O jogador de futebol se transformando em um ator. A garçonete, em uma atriz. É desta forma que as descobertas serão feitas.

Os personagens… 

O que dizer de Lillette e Robbie, que prometem se destacar ao longo da série como um potencial casal? Ou Simon, um estudante conservador que servirá de ponte para explorarem uma trama religiosa – que esconde uma possível descoberta bissexual no processo. E a antes Margareth, agora Michael, um estudante transgênero que também tem tudo para chamar a atenção das melhores tramas?

Imagem: NBC/Divulgação

Todos esses personagens, e mais alguns, serviram para a montagem de uma ousada peça, O Despertar da Primavera, que toca em assuntos como suicídio, gravidez na adolescência, aborto, sexo adolescente, obscenidades entre outras… Sim, obviamente isso chamaria atenção do diretor que facilmente colocou a direção do teatro nas mãos de Lou, e assim facilmente o tirou ao saber dos temas. Mas uma vez iniciada a revolução, difícil ela ser freada.

O final com os alunos reunidos em frente ao colégio, queimando as fantasias da peça substituta, e exigindo a presença do professor Lou como diretor, mostra que vozes querem ser ouvidas. Aliás, que precisam ser ouvidas. Foi uma cena emocionante, que fechou muito bem a apresentação da série.

Os números musicais foram rápidos, incompletos, e quase coadjuvantes na série. Nada soou forçado, e tudo se encaixou perfeitamente. E pode ficar tranquilo: ninguém aqui para um diálogo para cantar, ou conversa cantando como em alguns musicais. As performances se deixam, exclusivamente, para os testes e ensaios da peça.

Com 10 episódios programados, Rise terá a oportunidade de fazer uma incrível temporada e quem sabe assim conquistar o público. Certamente, estou na torcida para uma sequência. Porque ao terminarmos o piloto, a sensação é que esta é uma série que tem muito a dizer, e o que mais queremos é apenas dar oportunidade para isso acontecer.

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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