Saltburn, filme polêmico da Amazon, é de mau gosto absurdo

Saltburn entrou no catálogo da Amazon Prime Video e tem levantado polêmicas. É uma pena, portanto, que o filme seja de um mau gosto tremendo.

Saltburn

De tempos em tempos surge um filme ou artista (diretores, atores, roteiristas) que cai nas graças do público e da crítica. Não há nada de mais na obra ou na pessoa, mas todos parecem aprovar. O tempo passa e o tal filme ou o tal artista começam a ser criticados, e de repente todos parecem perceber os defeitos e problemas. “Bela Vingança” é um filme correto, mas superestimado, que lançou sua diretora, Emerald Fennell, como um poço de talento. “Saltburn”, seu novo filme, acaba de estrear na Amazon Prime Video.

O novo longa, que tem levantado polêmicas pelo mundo, é uma sucessão de equívocos. Quem não se deixou levar por “Bela Vingança” não está totalmente surpreendido. Aquele filme já se perdia em suas ideias e discursos. Ainda assim, era uma fita divertida, com boas atuações. “Saltburn”, por sua vez, é de uma mau gosto constrangedor.

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Para começar, é visível que Fennell se acha genial e moderna ao “criticar” a burguesia parasita. O problema é que a crítica é vazia e se esvai por dois motivos. Primeiro porque é nítida a simpatia da roteirista/diretora por aquele mundo e aquelas pessoas. Segundo porque o protagonista, avatar do público dentro daquela história, é um sujeitinho intragável.

Ainda que Barry Keoghan seja talentoso, ator e personagem – e texto, claro – se perdem entre retratá-lo como mocinho/vítima ou vilão desconjuntado. A indecisão dos envolvidos é tão grande que, quando a reviravolta final acontece, não há impacto ou surpresa. Afinal, o ideal era que todos os personagens explodissem e sumissem, já que todos são terríveis.

saltburn movie
Imagem: Divulgação.

Até para ser polêmico “Saltburn” decepciona

O grande problema, talvez, é que Fennell acredita que, para retratar os ricos como vilões, seja preciso investir em uma porção de nojeiras e absurdos. Algo que, novamente, também se encontra no suposto mocinho, que deveria ser o oposto daquele grupo de imbecis. Pois se todos são sujos e ruins, qual a mensagem? Não que seja necessário uma bússola moral para uma história funcionar. É possível ter uma narrativa tomada de vilões. Mas se todos são alvos, a ideia se turva.

Fennell reúne em seu filme, então, uma porção de cenas e diálogos soltos que ela sabia que fariam sucesso na internet. “Saltburn” parece, então, um filme pensado para ser exibido no Twitter. Só isso explica a cena da banheira, ou da cova, ou mesmo a dança final. Pois mesmo que o roteiro tente amarrar tudo com uma surpresinha, as intenções do protagonista nunca são realmente claras. Se a intenção é o choque pelo choque, há filmes muito melhores e mais bem resolvidos do que este.

Até porque, vale apontar, as tentativas de “choque” são rasas. A tal cena no ralo da banheira, citada à exaustão pelo elenco, é covarde. A nudez no final, também. Tudo fica no quase. É quase um choque, quase uma ideia, quase um filme. E mesmo que alguns tentem defender o visual do longa, citando sua fotografia, até isso apresenta seus equívocos.

O grande ensinamento de “Saltburn”, então, é o seguinte: enquanto chamarmos qualquer coisa de obra-prima e qualquer um de gênio, seguiremos tendo bombas como esta sendo lançadas.

Nota: 1/5

Sobre o autor
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Matheus Pereira

Jornalista, curioso e viciado em cultura. Escreve há quase 10 anos no Mix e Six Feet Under é sua série favorita.

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