TV enfrenta crise de audiência e emissoras estão valorizando o streaming

Imagem: NBC/Divulgação

Olhando para o copo meio cheio

É seguro dizer que a TV aberta não está nos seus melhores anos, seja em termos de audiência, indicações para prêmios importantes ou em ganhos gerados pelos anúncios. Mas as emissoras estão começando a valorizar o público das plataformas de streaming, que estão se tornando importantes na manutenção de suas programações.

NBC, por exemplo, é uma das que tenta encontrar resultados positivos para mostrar meses antes do início do Upfront em maio. As informações são do The New York Times.

Após permanecer na frente de outras emissoras com melhor audiência da temporada de 2016-17 e de se tornar, pela primeira vez desde 2002, o canal mais assistido no horário nobre, a NBC também mostra bons resultados no streaming. “Toda a empolgação está no a cabo e streaming,” diz o Presidente de Entretenimento da NBC, Bob Greenblatt. “Nós somos um negócio esquecido,” completou.

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Ele está otimista, entretanto. Apontando para números próprios, ele garante que seu canal mostrará aos anunciantes que podem fazer uma boa transição ao streaming. Com a audiência da TV aberta caindo 10% em relação ao ano passado, a NBC passou a seguir o número de telespectadores nas suas plataformas digitais. Isso inclui os tradicionais (NBC.com, NBC app e on demand), como também a Hulu e a determinação de quanto suas séries lucram em outras plataformas.

Um dos destaques é This Is Us. De acordo com dados divulgados pela emissora, 47% dos ganhos gerados pelo episódio piloto vieram dos meios digitais. Numa visão geral, 44% dos lucros gerados pelo drama foram extraídos de plataformas não convencionais. No lado da comédia, quem chama atenção é The Good Place, cuja renda do streaming foi de 36%.

Questão de sobrevivência

A Bloomberg indica que essa necessidade de olhar para o digital é mais do que negócios, mas sim um meio de sobrevivência. Os lucros gerados a partir dos anúncios na televisão caíram 07% em 2017, mostrando que o streaming é importante para compensar essas perdas. E Greenblatt precisa dar início a tal transição o quanto antes se quiser manter-se no cargo, uma vez que o mercado muda cada vez mais rápido. “Não insignificante hoje,” disse. “Eu penso que no decorrer do tempo vai se tornar significante,” completou.

O curioso é que a maneira “antiga” de ganhar dinheiro na televisão continua rendendo em alguns casos. Blindspot, por exemplo, teve 3/4 do seu lucro gerado pelos comerciais nos intervalos. Vale lembrar que em 2015, os canais convencionais não tinham as ferramentas atuais. Meios como o Hulu, por exemplo, em que a NBC conseguiu fechar um acordo prolífico para ambas as empresas para disponibilizar This Is Us.

Não são todos que se mostram abertos ao novo meio de fazer dinheiro. Alguns anunciantes se mostram céticos com o número de pessoas que realmente estão assistindo a programação pelo streaming.

É uma parte frustrante de todo o ecossistema,” diz Greenblatt. “Isso porque nós não temos meios objetivos de medir esse sistema que todos usando,” completou.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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