Crítica: 11ª temporada de Will & Grace entregou desfecho fraco para a série

Critica Will & Grace 11 temporada

O final de uma série icônica como Will & Grace infelizmente não foi a sua altura

Will & Grace encerrou sua trajetória de três temporadas, após retornar para um revival que seria – a princípio – uma série limitada. Com um sucesso estrondoso, repetindo o feito dos anos 1990, a série certamente mostrou-se relevante nos dias de hoje.

Quando a 11ª temporada fora anunciada como a temporada final, muitos se perguntaram sobre como a série iria acabar. Afinal, muitos fãs ainda lembram do fatídico final original, em 2006, quando Will e Grace ficam velhos, se casam, ficam distantes e se reencontram apenas anos depois com seus filhos na faculdade. Existia chances de um final ser pior que aquele? Sim. E infelizmente, foi o que aconteceu.

Mas diversos fatores levaram isso acontecer. E eu explico.

Por ser uma temporada final, Will & Grace teve pouco a dizer

Diferente da nona e décima temporadas, a corrida final de Will & Grace pareceu bem perdida. Parecia que, em certo ponto, os criadores sentaram e disseram… “Bem, acho que já deu. Vamos empurrar 18 episódios e ver o que sai”. Nada pareceu muito planejado, principalmente porque nos bastidores o bicho estava pegando. As atrizes Debra Messing e Megan Mullally aparentemente tiveram uma discussão feia durante a “pausa” entre as temporadas e, desde então, não se falaram mais. Até no Instagram, elas pararam de se seguir, apagando também as fotos juntas. Resultado? As cenas entre Karen e Grace foram, basicamente, nulas.

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Mesmo com os criadores afirmando que, ao gravar, havia um profissionalismo impecável, podíamos ver que elas estavam incomodadas por estarem perto uma da outra. Karen mal olhava para Grace e vice-versa. Com isso, os produtores tiveram de criar uma história que afastassem Karen de Grace – e dos demais personagens – colocando-a como diretora de um time de futebol. Essa, sem dúvidas, foi uma das piores histórias já mostradas para Karen. A personagem, que por vezes roubou a cena dos personagens-título, ficou extremamente apagada. E foi sofrível de ver. Infelizmente, Karen teve pouquíssimas cenas engraçadas, tirando grande parte do brilho dessa temporada final.

Outro que não teve tanto destaque foi Jack. Ele, basicamente, se dividia entre algumas cenas com Karen – longe de Grace e Will – ou, sendo um “enfeite” nos dilemas do “Casal” da série, com quase nenhuma relevância. Seu próprio matrimônio foi deixado de lado, e pouquíssimos momentos do personagens valeram a pena. Um, em especial, foi quando ele pegou um avião com o ator Ryan Phillipe, que era sua “celebridade de transa”, e que por coincidência estava estudando para fazer um personagem gay.

Will e Grace… grávidos de novo

Mais uma vez, a 11ª temporada cometeu o grande erro da temporada 8: colocar Will e Grace como possíveis pais. Mas agora, havia uma diferença. Eles estavam solteiros e pretendiam fazer isso juntos. Claro que a jornada até lá foi uma montanha russa de emoções, mas honestamente essa trama não me pegou. Existia diversas oportunidades para contar uma história final tanto para Will quanto para Grace, mas a ideia foi que eles envelheceriam juntos, com dois filhos, mesmo ainda tendo a perspectiva que eles fossem encontrar alguém para suas vidas. Embora a série insistisse em afastar qualquer interesse romântico do par.

É triste porque, uma série com a relevância de Will & Grace tem sempre muito a dizer. E, basicamente, nesta temporada eles não disseram.

Um final com gosto amargo

Acho que o pior de toda essa brincadeira, sem dúvidas, foi o episódio final. Com menos de 22 minutos, eles precisavam resolver diversas pendências. E o pior: nem o parto de Grace foi mostrado – sim, ela termina a série grávida. Já o filho de Will? Esquecido no churrasco, e sequer foi mencionado. Para uma temporada final, que basicamente falou disso, ter deixado esse assunto no escanteio do final foi imperdoável. Foi basicamente o que How I Met Your Mother fez com seu final: falou a temporada final inteira sobre o casamento de Robin e Barney para, no fim, eles se separarem.

Além da sensação de perda de tempo, ficou a tristeza por em certos momentos pensarmos que aquele final da década de 2000 é melhor que este atual. Mesmo com os produtores Max Mutchnick e David Kohan afirmando que a série era sobre o tempo de Will e Grace juntos, e não como pais, então talvez eles não tivessem inserido tal trama de paternidade. Tudo soou muito forçado e sem qualquer propósito.

Ao fim da jornada, não dá para enumerar um momento icônico desta temporada final (com exceção do episódio que homenageou I Love Lucy – mas que foi totalmente aleatório). É como se ela nunca tivesse existido, assim como a realidade do final da oitava temporada.

Ficarei aqui, esperando o próximo reboot.

De qualquer forma, Will & Grace merece nosso respeito como uma das melhores comédias da televisão. Colocou pela primeira vez no horário nobre protagonistas gays, e soube com maestria fazer piada de tudo. Sem dúvidas, uma série para ser lembrada e cultuada.

As 10 primeiras temporadas estão disponíveis no Globoplay. Em breve, a temporada final deverá chegar no catálogo.

Nota da Temporada7.5
Crítica da temporada final de Will & Grace, que encerrou trajetória de 11 temporadas da série. No entanto, desfecho foi amargo.
7.5
Anderson Narciso

Anderson Narciso

Criador, editor e redator do site Mix de Séries, é apaixonado por séries desde sempre. Fã incondicional de One Tree Hill, ER, Friends, e não perde um episódio da Franquia Chicago.

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