Crítica: 3ª temporada de The Marvelous Mrs. Maisel é boa, mas sem surpreender

3 temporada de Marvelous Mrs. Maisel teve pouca ousadia

Faltou ousadia em The Marvelous Mrs. Maisel

Nós amamos The Marvelous Mrs. Maisel, indiscutivelmente! Ela é, sem dúvidas, uma das melhores séries de comédia atualidade. Merecidamente reconhecida com prêmios, a atração em dois anos alcançou um status que séries longínquas ainda sonham alcançar. Mas nem por isso devemos fechar os olhos para defeitos e, pela primeira vez, a atração cometeu uns deslizes ao retornar para a terceira temporada.

Mais uma vez, longe de falarmos mal da série. Para confirmar isso, deixemos claro que esta não é uma review negativa (a boa nota está para reafirmar isso), nem queremos falar mal “de graça”. Somente queremos refletir algumas coisas que, talvez, não fossem legal repetir.

Digamos que Amy Sherman-Palladino tentou refazer a fórmula da primeira temporada, e acabou soando repetitiva em muitos aspectos. Além disso, tivemos um despertar feminista de Midge, e logo após de Rose, sua mãe. Mas quando ficamos sem mais personagens principais para empoderar, o que virá a seguir?

A terceira temporada de The Marvelous Mrs. Maisel lutou, a todo instante, para ser interessante. Mas infelizmente ela deixou muitos de seus coadjuvantes sem tramas que despertassem a curiosidade do espectador. Há tão poucos conflitos que os personagens novos que aparecem (como a chinesa que interage com o Joe ou o agente de Shaw interpretado por Sterling K. Brown) parecem as coisas mais fascinantes do mundo – quando na verdade eles nem são. Isso, sem dúvidas, acabou fazendo da temporada algo aquém do que ela poderia ser. Mas de novo, mesmo o aquém de Mrs. Maisel é encantador.

Continua após a publicidade

Uma época de ouro

É sempre incrível retornar a esta época de ouro do final da década de 1950 e início da de 1960. Neste ano, tivemos ainda mais elementos que ajudaram a dar uma ótima composição para trama, quando Midge entrou em turnê abrindo para Shy Baldwin. A cena de abertura da temporada, inclusive, é uma das melhores coisas na série como um todo e capta bastante a essência que Rachel Brosnhan criou para a senhora Maisel.

Aliás, o cantor é um personagem charmoso que acrescentou bem ao universo de Mrs. Maisel, embora seu talento musical sempre ofuscasse a falta de carisma do intérprete Leroy McClain. Mais ainda, se somarmos suas cenas perto do sempre excelente K. Brown. De alguma forma, no entanto, a parceria entre ele e Maisel parece funcionar. Uma pena que, ao final da temporada, eles tenham escolhido uma saída simples para que a parceria fosse desmanchada, fazendo com que Maisel perdesse uma oportunidade e tanta de continuar sua trajetória no mundo do stand-up comedy. 

Os figurinos, assim como a fotografia da série ainda roubam a cena, embora também não acrescentem nada de novo do que já tenhamos vistos nos dois primeiros anos. Acontece que a série aprendeu a criar um padrão de exigência do espectador e, a esta altura, esperamos sempre mais. Mas, aparentemente, devermos ficar somente esperando por agora.

Desavenças em The Marvelous Mrs. Maisel

Amy Sherman-Palladino optou por colocar Midge e Susie em rotas de colisão nesta temporada. Mas, felizmente, seus conflitos duraram poucos instantes. Susie sempre se demonstra irritada por Midge não enxergar determinados problemas, mas todos os obstáculos entre eles acabam sendo desfeitos quase que na mesma cena. Não querendo torcer para que elas continuassem em conflito – até porque isso poderia ser chato – mas como você constrói arcos contínuos que impulsionam o crescimento e as mudanças sem fazer isso?

Mais uma vez, caímos na falta de conflitos que talvez tenha deixado a temporada um tanto “parada” para muitos espectadores. Após oito episódios, a sensação é que a temporada não acrescentou muito no universo da série, encontrando os personagens praticamente do mesmo ponto onde foram deixados ao final da segunda temporada.

Joel (Michael Zegan) continua sendo um ponto em branco que quase nem merece menção. (Seus principais desafios são abrir seu próprio bar e não se apaixonar pela esposa). O problema de Susie é ter uma nova cliente exigente (Jane Lynch retorna como Sophie Lennon), mas até agora nenhuma demanda foi tão difícil que ela não tenha conseguido vencer. Já Abe (Tony Shaloub) deixa o emprego, e junto de Rose, precisa abandonar seu luxuoso apartamento de quatro quartos com vista para o Central Park. É então que eles vão morar com os Maisel para viver seus piores pesadelos (lá eles tem seu próprio quarto e sua própria empregada. Nossa, que difícil). De novo, são pontos interessantes para diálogos engraçados mas que, no geral, não acrescentam em nada para a evolução da trama.

The Marvelous Mrs Maisel Season 3 Tony Shaloub Marin Hinkle

Tony Shaloub e Marin Hinkle em “The Marvelous Mrs. Maisel. Imagem: Prime Video/Divulgação

E agora?

Ser convidado a sentir pena da personificação dos problemas dos ricos brancos na TV sempre foi um problema para “Maisel“, mas é mais evidente quando você não está se divertindo tanto. Tirando alguns momentos interessantes em que Sterling K. Brown tem em cena, ou a rápida participação de Liza Weil (revivendo sua parceria de Gilmore Girls com os Palladino), a terceira temporada de The Marvelous Mrs. Maisel no Amazon Prime Video não tem muito a acrescentar e fica nisso.

Os ritmos ainda são os mesmos, os visuais ainda são excelentes e todos os seus rostos favoritos ainda estão tendo destaque. Mas não faz mal arriscar aqui ou ali para entregar uma história que surpreenda. Quem sabe, assim, ela volta a ser “Maravilhosa”?

Nota da Temporada8.5
Crítica da terceira temporada de The Marvelous Mrs. Maisel, série do Amazon Prime Video. Novos episódios já estão disponíveis na plataforma.
8.5
Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, criador de conteúdo, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias e resenha séries semanalmente.

No comments

Add yours