Critica: After Life, 2ª temporada da série continua sensível e tocante

Critica 2 temporada After Life

Ricky Gervais está em um de seus melhores papéis em After Life

Posso resumir em três palavras o que aprendi sobre a vida: a vida continua – Robert Frost (After Life).

Em março de 2019, a série After Life, da Netflix, estreou sem chamar atenção dos assinantes. Para aqueles que tiveram a sorte de encontrá-la e a curiosidade de assistir, descobriram uma produção divertida e muito sensível. Um verdadeiro tesouro raro.

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Ricky Gervais atua, escreve e produz a série que conta a história de um homem que lida com o luto e tenta seguir em frente com sua vida após perder sua esposa. A primeira temporada relata o luto, a necessidade de mudança e um potencial romance com a enfermeira de seu pai. Uma história com inicio, meio e fim.

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No entanto, a sensibilidade do texto e o trabalho impecável de Ricky na produção, garantiram uma continuação para série. Na segunda temporada, Tony ainda luta com a tristeza pela perda de sua esposa, ainda sente sua falta, mas tenta ser uma pessoa melhor para aqueles que estão a sua volta. Seus amigos e colegas de trabalho ganham mais espaço e sua vida profissional corre risco com a ameaça iminente do jornal local ser fechado.

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Tony ainda não está bem. Sentimos que agora ele está menos amargurado e irritado com as pessoas, mas ainda vivendo o luto, depressivo. Ele se recorda como é ser feliz e normal, e mesmo tentando recriar a felicidade e a normalidade ele não consegue. O sentimento de impotência é mais forte. O apego à memória de sua esposa ainda lhe domina. Tony vive um dia após o outro tentando encontrar um novo sentido para sua vida.

After Life aborda temas importantes com muita responsabilidade 

Um dos recursos da narrativa da série é explorar as gravações que a esposa de Tony fez enquanto estava em tratamento e as gravações caseiras do cotidiano do casal. E se tem uma coisa que Tony aprendeu com essas gravações, foi ter empatia com as pessoas a sua volta. Tony mesmo em luto, está mais tolerante e se esforça para ajudar seus colegas de trabalho com suas questões, afinal, todos temos problemas. Ele passa a reconhecer no outro sinais de solidão e depressão, sentimentos que lhes são familiares, e tenta ajudar como pode.

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As pessoas que cercam a vida de Tony são extravagantes e muito peculiares. O carteiro sem noção, a profissional do sexo que acaba se tornando amiga dele, os colegas do jornal local, seu terapeuta com comportamento tóxico e Matt seu cunhado que lida com uma crise no casamento. Tony entende que todos lidam com suas próprias questões, ele não é o único a ter problemas. O romance entre Daphne e Pat (o carteiro sem noção) tem um bom desenvolvimento.

No entanto, outras subtramas de After Life não são tão interessantes. Um possível romance entre Tony e Emma (Ashley Jensen) é ameaçado pelos sentimentos que ele ainda nutre por Lisa (Kerry Godliman). Tony parece não encontrar conforto nos meios habituais ​​para encontrar algum alívio a sua dor. Seja em algum amigo, família ou religião. Porém, é através de sua amiga de cemitério, Anne (Penelope Wilton) que ele encontra um pouco de alívio ao se abrir. Sem dúvida, esses encontros são um dos melhores momentos dos episódios.

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A trilha sonora da série continua sendo fundamental para contar essa história. Ela cria uma atmosfera nostálgica e dolorosa, ao mesmo tempo que representa uma esperança para o futuro de Tony.

Considerações finais

After Life não precisava de novos episódios. A primeira temporada foi coesa ao contar a história de Tony com início, meio e fim. A nova temporada apesar de expandir seu luto e depressão, perde um pouco do frescor das piadas e da melancólica dos episódios anteriores. Mas não deixa de ser igualmente sensível e emocionante. Entretanto, agora percebemos que a jornada de Tony em sua vida após a morte (de sua esposa) ainda não terminou. A série ainda continua com o poder de conquistar o espectador a cada episódio.

Apesar de ser vendida como uma série de comédia, o roteiro lida de forma responsável ao tratar a depressão e a dor, mas principalmente ao tratar a amizade como algo libertador. As conversas com sua amiga de cemitério são poderosas para a evolução e compreensão de Tony sobre seu luto. A escrita de Ricky Gervais está mais madura e sensível. Morrer é fácil, o difícil é viver. As palavras de Robert Frost resumem bem a mensagem da série. O final da segunda temporada sugere um novo começo, e agora penso que seria interessante acompanhar mais um capitulo da historia de Tony.

A segunda temporada de After Life com seis episódios já está disponível. Confira o trailer abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=eyOgz7pwELE