Critica: Chambers, série de terror sobrenatural da Netflix, desperdiça potencial

Chambers mostra que coisas ruins acontecem por um motivo

Chambers é a nova aposta da Netflix que desperta curiosidade graças ao interessante trailer e da presença de Uma Thurman e Tony Goldwin. Porém, ao dar o play na primeira temporada de dez episódios, todos os elementos atraentes da série se mostram confusos revelando uma trama perdida em sua construção.

A premissa é interessante. Sasha Yazzie (vivida pela novata Sivan Alrya Rose) é uma jovem que sofre um ataque cardíaco na mesma noite que outra jovem, Becky Lefevre (Lilliya Reid), morre eletrocutada na banheira. Quando Sasha recebe o transplante de coração de Becky, começa a ter uma estranha conexão com a vida de sua doadora, assumindo alguns traços de sua personalidade sem compreender.

Ao se aproximar dos pais de Becky, Nancy (Uma Thurman) e Ben (Tony Goldwin), ela começa a questionar as circunstâncias misteriosas da morte de sua doadora. A obsessão de Sasha em descobrir a verdade a distancia cada vez mais do seu próprio eu e a transforma em Becky. Experimentando visões e sensações que se confundem entre pesadelos, lembranças de outra vida e crise de identidade.

Contraste social é um dos destaques da série

A trama imprime a divisão de dois mundos, com a pobreza e riqueza. O cenário de Chambers é o Arizona, com estradas longas e tempestades de areia. Sasha é moradora de Cottonwood, uma comunidade de classe média. Ela vive com seu tio Big Frank, tendo um namorado e uma melhor amiga. Mas quando ela ganha a bolsa de estudos de Becky em outra escola, consegue notar o abismo socioeconômico que as separava.

Cystal Valley é a comunidade rica a qual Becky fazia parte. Elitista, com tecnologia muito presente, mansões, famílias predominantemente brancas e adeptos de um estilo de vida alternativo. As diferenças são grandes e Sasha aos poucos é tragada para esse mundo de privilégios e alienação com um visual elegante.

Trama mistura elementos sobrenaturais com terror psicológico

Algo parece não está certo desde o início, seja com os pais de Becky ou com a própria comunidade em si, que é adepta do estilo de vida da Fundação Anexo. Este é um grupo que cuida do bem estar do corpo e da mente através de exercícios e rituais. Entretanto, existe algo de sombrio por trás de toda aquela tranquilidade e harmonia.

A comunidade de Cottonwood em sua maioria parece ter descendência indígena, trazendo representatividade ao povo nativo americano. Embora alguns estejam bem longe das tradições e práticas. Em meio a tudo isso os aspectos sobrenaturais e mitológicos desse universo vão sendo revelados.

O potencial existe, mas é desperdiçado

A fotografia e a edição de som são competentes em criar a atmosfera misteriosa e por vezes sombria da série. As cenas “gore” conseguem impactar. Thurman e Goldwyn são os destaques devido a força e a carga dramática de seus personagens. A trama flerta com outras histórias já contadas no cinema envolvendo possessões e mudanças de corpos.

Porém, a jornada de Sasha se torna desgastada. E isso acontece mesmo tendo temporada apenas dez episódios. As revelações perturbadoras que conectam as vidas de Sasha e Becky vão surgindo a medida que todos os personagens se cruzam nesse emaranhado de experiências estranhas. No entanto, a trama se mostra arrastada entregando um desenvolvimento lento.

Considerações finais

Ainda que os pais de Becky inicialmente tenham boas intenções… O que os dois tentam fazer é uma espécie de transferência com Sasha. Na verdade, são dois pais com dificuldades em lidar com o luto e não conseguem superar e deixar o espírito da filha descansar. É como se o desejo deles em a querer por perto a mantenha presa neste plano, ou nesse caso, no corpo de Sasha. Mas as explicações sobre a mudança de Sasha são ainda maiores que isso e tem haver diretamente com Nancy e Ben.

Nos dois episódios finais que a trama volta ao que interessa. O final da temporada funciona porque dá abertura para uma possível segunda temporada, revelando novos elementos que, se fossem explorados nessa temporada, seria mais interessante. Chambers talvez seja apreciada o suficiente para lhe garantir uma renovação, ou talvez a jornada de Sasha fique sem uma conclusão.

Continua após o trailer

Além disso, completo. Todavia, palavras. Entretanto, necessárias. Bem como, brancas. Todavia, verdes. Além disso,

Além disso, completo. Todavia, palavras. Entretanto, necessárias. Bem como, brancas. Todavia, verdes. Além disso,

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Critica da Temporada6.5
Critica da primeira temporada de Chambers, da Netflix.
6.5
Tags Chambers

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Yuri Alves

Yuri Alves

Bacharel em Direito, fascinado pelo universo dos heróis e um viciado por séries e filmes. Sou um escritor a procura do meu espaço. Amante dos livros e da boa música. A série da minha vida , The OC. No Mix, sou responsável pelos textos de algumas séries como, The Defenders, Dynasty, Blinspot , Ozark entre outras. Quando não estou no cinema ou maratonando uma série estou me aventurando na cozinha.