Crítica: Chorando pitangas, 2×11 de Designated Survivor é puro tédio

Imagem: ABC/Divulgação

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Quem não gosta de um pouquinho de caos?

Quando começaram a sair as primeiras informações referentes ao retorno de Designated Survivor em 2018, imaginei que teríamos problemas à frente. Isso porque o personagem entraria numa fase complicada. Recheada de rompantes, decisões mal articuladas e emoções a flor da pele.

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O problema é que essa carga emocional nunca foi uma característica positiva de Kiefer Sutherland. Desde os tempos de 24 Horas, passando por Touch até chegar aqui o ator sempre teve problemas no departamento de transmitir sentimentos. Mesmo assim, o roteiro decidiu que seria uma boa ideia seguir em frente.

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A equipe criativa do drama tem todo o direito de explorar o luto dos personagens. O título do episódio é justamente esse inclusive. O problema é que, além das dificuldades já sabidas do ator, é possível entender que o roteiro possui outra intenção com a proposta de trazer um presidente instável. Assim como Madam Secretary no final de 2017, Designated Survivor flerta com a ideia de fazer um contraponto com a vida real. Beber na fonte de Michael Wolff e mostrar aos telespectadores o quão perigoso é ter um presidente cujos impulsos são frequentes.

É louvável que tenhamos a oportunidade de ver que em algumas situações, a vida real é tão impressionante que a própria ficção encontra dificuldades em acertar o tom. Meu problema com essas repetidas tentativas de retratar o presidente de uma forma depreciativa é o esquecimento de fatos importantes. Porque o presidente Kirman não volta retorna àquela mesma postura de quando falou de controle de armas? Porque não há uma nova proposta de lei de segurança no trânsito que possa receber o nome da ex-Primeira Dama? Realmente me preocupo com a provável inércia dos próximos episódios.

E sim, ainda pode ficar pior.

E o que falar sobre aqueles flashbacks? Já é uma construção narrativa horrível, fica ainda pior quando o cinematógrafo deixa as sequências praticamente em tom de branco. É desesperador, seja para os olhos ou para quem (como eu) tentou encontrar alguma relação emocional com o protagonista. Não deveria ser tão difícil e custoso chorar com o presidente após o falecimento da sua esposa num trágico acidente. Sinceramente, não pensei que teria que reclamar de algo tão básico e primário.

Nem sei o que comentar sobre a “aventura” envolvendo Hannah e Aaron. Nunca entendi o porquê eles continuam desenvolvendo tramas paralelas para personagem, uma vez que elas nunca funcionam. Todavia há uma particularidade nas sequências de Grief – um tanto mal feitas. Elenco de dublês pessimamente coordenado e uma direção que escorrega nas tarefas mais básicas. Não sei o que saíra dessa proposta, mas pelo que vi aqui, posso dizer que já estou frustrado.