Crítica: Com lobisomens, 9-1-1 perde totalmente o foco no episódio 1×07

Imagem: Fox/Divulgação

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Quem muito inventa história às vezes se da mal.

Durante a pausa das Olimpíadas, uma das postagens que o Mix de Séries fez para manter o telespectador empolgado foi um apanhado para mostrar que realmente, os casos mostrados aqui vem do noticiário. Confesso que não tinha a menor ideia de algumas situações, principalmente do pula-pula que é levado pelos ares. Tal matéria me fez entender um dos motivos do sucesso de 9-1-1: combinar uma estrutura narrativa que o telespectador comum adora, com casos frescos, criativos e excitantes. CSI foi certamente uma precursora desse modelo, mas Ryan Murphy e sua equipe levam a outro nível.

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Todavia, Full Moon (Creepy AF) saiu completamente do controle. Entendo a vontade surpreender quem assiste e renovar sua atenção, mas existe limites para tudo. Se você se dispõe a criar uma série baseada na realidade, é improvável que inventar uma história de lobisomem pareça ridícula. Adoro criaturas sobrenaturais, visto minha insistência com Sleepy Hollow até o último episódio. Como posso levar a sério um lobisomem na Los Angeles de 2018? Onde não há uma cobertura midiática gigantesca, o CDC sequer é citado e os personagens tratam a situação como se fosse algo normal.

Felizmente, essa não foi a única proposta. Tivemos a oportunidade de acompanhar um atendimento numa aula de yoga para grávidas. Qual a novidade disso? A maioria (senão todas) entrou em trabalho de parto ali mesmo. Pode-se dizer que foi um dos momentos mais pastelões que essa série já nos apresentou, mas eu não me lembro de me divertir tanto como nesse episódio. Peter Krauser e Oliver Stark possuem um apelo cômico impressionante, têm uma química muito boa e conseguiram dar o tom exato da sequência. Engraçadinho, mas sem ser piegas e sério quando necessário, mas sem ser sisudo.

Há espaço para crescimento, entretanto.

Outro ponto positivo que me chamou atenção foi atenção que eles tiveram com Hen (Aisha Hinds). Há mais para se fazer numa personagem do que ser uma socorrista negra e lésbica. A equipe criativa da série fez de The People v. O.J. Simpson uma obra prima indo justamente além dos estereótipos. É verdade que o padrão da TV aberta dificulta muito esse trabalho de desenvolvimento, uma vez que falta tempo, investimento e atenção de quem assiste. Porém, minha análise dessas situações são muito claras  – ou você vai fazer direito, do contrário não vai fazer nada.

É fundamental que para o restante da temporada, o drama consiga sobressair-se dos impulsos e focar no que realmente importa. Há espaço para comédia, temos momentos de falar sério e de explorar situações curiosas da realidade, até porque são esses os elementos que tornam 9-1-1 tão boa. Não há lugar, todavia, para malabarismos, “realidades alterativas” e invenções. Sinceramente, se quisesse assistir esse tipo de conteúdo, estava na CNN agora mesmo para saber qual o novo escândalo vindo da administração de Donald Trump.

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