Crítica: Cruella é uma das melhores adaptações da Disney

Cruella

Cruella é um dos melhores live actions da Disney justamente por se distanciar o máximo possível dos materiais originais animados. Assim, invés de transpor Os 101 Dálmatas de forma fiel e integral (algo que já foi feito há anos), a nova produção decide focar na vilã icônica, Cruella De Vil. Ao enveredar para a mesma vertente de Malévola, o longa deixa de ser uma cópia (como A Bela e a Fera ou A Dama e o Vagabundo) e torna-se um produto novo. Nesta perspectiva, Cruella é uma das revisões mais inventivas da safra recente, apostando forte no visual e no humor mais frouxo.

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É um avanço se considerarmos que a maioria dos live actions do estúdio apostavam no terreno seguro. Ainda que sejam tecnicamente irretocáveis, são produções de pouca experimentação. Mesmo Aladdin, dirigido por um cineasta de forte apuro estético, investiu numa abordagem colorida, mas tímida e presa ao visual original. Com isso, Cruella parece mais uma produção de Tim Burton do que o próprio Dumbo, dirigido pelo cineasta.

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Emma Stone é puro carisma enquanto os figurinos enchem os olhos

No centro de tudo está Emma Stone. E é fortemente elogiável o fato da atriz se entregar a um projeto como Cruella. Depois de se dedicar a estruturar e fortalecer sua carreira e vencer um Oscar, Stone pode fazer o que bem entender. Logo, grande parte do sucesso de Cruella vem do fato da atriz se entregar e se divertir a cada segundo de filme. Assim, Stone traz o carisma que já havia injetado em tantos outros projetos e faz de Estella/De Vil uma personagem absolutamente interessante e envolvente. Com isso, tanto na versão mocinha quanto na vilã, a atriz faz o possível para torná-la uma mulher complexa, facilmente amável e rapidamente detestável.

Mas felizmente não é só uma ótima atuação que garante a qualidade de Cruella. E para qualquer aspecto que se olhe, o longa se destaca. É claro que um dos pontos que mais chamam atenção são os figurinos. De Jenny Beavan, vencedora do Oscar por Mad Max: Estrada da Fúria, os figurinos de Cruella provavelmente chegarão à premiação com grandes chances de vitória. Assim como O Diabo Veste Prada e outros que tratam sobre a indústria da moda, Cruella é um verdadeiro desfile de looks incríveis. A direção de arte é outro elemento do longa que merece destaque, recriando a Londres dos anos 1970 com precisão e estilo, além de estabelecer a mansão da Baronesa e a casa de Estella como importantes personagens da trama.

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Trilha sonora é um espetáculo à parte, com grande sucessos da música

Mas não é só pra onde se olha que Cruella chama atenção. O que se escuta também merece aplausos. E posso afirmar, sem medo de exageros, que Cruella tem a melhor trilha sonora que já vi. Numa coleção insana de clássicos, o filme reúne mais hits do que Guardiões da Galáxia, por exemplo. E é certo que a Disney lucrará uma boa fortuna com streamings e venda de vinis do filme. Tem Rolling Stones, Nina Simone, Queen, Deep Puple, The Zombies, Bee Gees, The Animals, The Doors, David Bowie, Black Sabbath, Led Zeppelin, Blondie, The Clash e muito, muito mais. E repare que sequer citamos a canção tema, interpretada por Florence and the Machine. Assim, uma coisa é certa: o estúdio deve ter desembolsado boa parte do orçamento só na compra de músicas para o filme.

No comando de tudo, Craig Gillespie volta a se mostrar um interessante cineasta. Tendo surpreendido a indústria logo no início da carreira, com A Garota Ideal, o diretor ainda chamou atenção com o ótimo remake de A Hora do Espanto. Recentemente, Gillespie ainda recebeu o carinho da crítica e da Academia com o lançamento de Eu, Tonya, drama com Margot Robbie. Em Cruella, o diretor não se amedronta pelo peso do estúdio ou do produto. Na verdade, parece inspirado pelo lado punk e rebelde de Estella/De Vil, arriscando algumas boas abordagens visuais. Assim, não sentimos que este é apenas um projeto cujo diretor foi contrato para fazer um trabalho correto e burocrático. Gillespie se destaca e, com isso, eleva seu filme.

Cruella acaba como um dos melhores live-actions da Disney

Com ótimos coadjuvantes (a Baronesa é ótima, Horácio impagável e Mark Strong sempre é uma forte presença) Cruella é um filme da Disney como há muito tempo o estúdio não conseguia fazer. História simples e envolvente, personagens carismáticos, bom humor e ótimo visual garantem uma experiência muito mais positiva do que o esperado. Na plataforma da Disney Plus e em cinemas pelo mundo, Cruella é mais um título que marca um interessante e excitante retorno aos tradicionais lançamentos cinematográficos.

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