Crítica: Iluminadas (Shining Girls) é uma série intrigante e necessária

Série do Apple TV+ com Elisabeth Moss vale o tempo.

Crítica Iluminadas

O Apple TV+, quando estreou em 2019, se mostrou tímido nas suas produções. Mas passados três anos, que particularmente voaram, o streaming fez seu nome no mercado e se faz provar pronto para competir pela atenção de assinantes. Como ele faz isso? Com séries extremamente interessantes, como Iluminadas (Shining Girls).

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Para começo de conversa, Iluminadas pode parecer “batida”. Ela traz temas como assassinatos, abusos e terroristas de mulheres. Mas é justamente por avaliarmos esse tema como “batido” é que precisamos reforçar a necessidade de produções como Iluminadas.

Porque uma coisa é tratar do tema de forma leviana ou preguiçosa. Outra é se debruçar em cima de uma persona, a ponto de fazer um estudo de personagem, para contar a história de uma mulher que teve sua paz de espírito tirada por um homem, e tudo o que ela agora quer é que ele seja pego. E, se nesse meio tempo ela conseguir se vingar dele, vai ser como jogar na loteria e ganhar.

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Crítica Iluminadas
Imagem: Divulgação.

Elisabeth Mossh brilha como a protagonista de Iluminadas (Shining Girls)

Pode até parecer um trocadilho chinfrim, mas Elisabeth Moss brilha como Kirby Mazrachi, a protagonista do livro de mesmo nome da autora Lauren Beukes que chegou nas bancas há quase dez anos.

A história da série, aliás, é bem parecida com a do livro: Kirby sofreu um ataque, há seis anos, o qual ela sobreviveu. Mas a partir dessa ataque, ela vem alternando em “realidades inconstantes”, quase como se fosse um transtorno pós-traumático. E essas mudanças podem se fazer em mínimos detalhes, tendo ora ela um cachorro de estimação, ora um gatinho.

Ou ainda, uma mesa de trabalho diferente, algo que a série trabalha sutilmente, indicando a mudança pelo olhar de Moss. Mas, em alguns momentos, as mudanças são bruscas, de uma solteira Kirby para uma Kirby casada – com um homem que, às vezes, ela nem se recorda ser companheira.

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Mas há algo constante nessas realidades de Kirby, que é o seu trabalho como arquivista do jornal Sun Times, no início dos anos 1990. Então, tudo fica agitado quando um corpo aparece com os mesmos ferimentos que ela obteve, com ela unindo suas forças ao jornalista Dan (Wagner Moura), para que ambos investiguem e ajudem a captar o homem que ela acredita ser o mesmo que seu agressor de anos atrás.

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Imagem: Divulgação.

Como se não bastasse, Kirby – junto de Dan – se depara com um outro problema: linhas narrativas quase que impossíveis de montar, uma vez que o assassino parece atuar em décadas atrás. E, ainda, manter a mesma aparência. Aliás, a aparência deste “vilão” é crucial, vivido por um Jamie Bell sereno, aconchegante e extremamente perigoso.

Mas voltando a Moss, é ela a dona da série. E, com sua personagem, Moss exprime uma figura inquietante, feroz e atenta a mudanças de humor e sofrimento que sua personagem tem. Algo que só ela poderia executar tão bem, após passar anos à frente de The Handmaid’s Tale, em uma personagem tão sofrida quanto.

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Iluminadas não é nenhuma superprodução – mas prende a atenção

Como dito, Iluminadas pode soar batida. Ela não tem a história mais atraente de todas. Mas o trunfo que ela tem é saber contar uma boa história, através da criadora Silka Luisa.

Este, aliás, é um trunfo que o Apple TV+ vem apostando. Ao invés de contratar showrunners e roteiristas consagrados, como a Netflix e o Amazon Prime, fazem, ela vem investindo em nomes ainda desconhecidos. E está sendo através deles que ela vem desenvolvendo títulos absolutamente primorosos, como o grande sucesso do ano, Ruptura.

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Claro, talvez comparar Iluminadas com Ruptura seja até forçar um pouco a barra. Mas o legal de Iluminadas é que, mesmo com uma trama um pouquinho lenta, o roteiro usa de um artifício extremamente inteligente que é colocar o espectador à frente dos personagens.

Ou seja: enquanto os personagens ainda tentam solucionar a história, o espectador já tem todas as informações necessárias para compreender o que está acontecendo, e resta a ele torcer para que os protagonistas matem as charadas. Adicione isso elementos como “viagem no tempo” e o prazer em acompanhar a trama está feito.

Imagem: Divulgação.

Só que, em certo ponto, a série tem reviravoltas. E Iluminadas zomba da cara do espectador, quase como que se ela falasse: “você achou mesmo que era isso?”.

De certo modo, Iluminadas não pode ser encarada como Thriller, mas é mais interessante que o espectador a assista dessa forma, até mesmo para chegar a um final bastante surpreendente no último episódio.

Em meio a tantas produções que também soam batidas na TV, Iluminadas pode ser um escape extremamente interessante, que ao chegar ao final da maratona lhe dá a sensação de tempo bem investido. Afinal, não é isso que buscamos ao assistir uma série de TV?

Todos os episódios de Iluminadas já estão disponíveis no Apple TV+.

Nota: 4.5/5

Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal. Especialista em SEO e construção de textos para internet, também atua como webwriter com foco em textos para o Google. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais TeleSéries e Box de Séries. Fã de carteirinha de Friends, ER e One Tree Hill, é aficionado pelo mundo dos seriados. Também é fã de procedurais, sabendo tudo sobre o universo das séries Chicago, Grey's Anatomy, e séries de sucesso como La Casa de Papel e Lucifer. Também é fã da DC Comics, e acompanha produções inspiradas em personagens da editora, como Titans e até o mais recente produto da editora, Sweet Tooth.