Crítica: Jurassic World Domínio presta tributo com encontro de gerações  

Novo Jurassic World diverte, mas não entrega o final épico que se propõe.

Jurassic World Domínio

Em 1993, quando Steven Spielberg lançou Jurassic Park, ele salvou a Universal Pictures de uma crise. O filme se tornou um dos maiores blockbusters da história do cinema, garantindo o status de fenômeno cultural/pop. Desta forma, se tornou uma marca tão poderosa como Star Wars.

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Tamanho sucesso da franquia garantiu uma atração no parque temático da Universal Studios na Flórida, atraindo visitantes do mundo todo. Agora, o mais novo capítulo da saga jurássica iniciada por Spielberg, Jurassic World Domínio, chega para encerrar todo esse legado. Ou não?

Nele, o diretor Colin Trevorrow entrega a conclusão para a segunda trilogia da franquia iniciada em 2015. Quatro anos após a destruição da Ilha Nublar apresentada em Jurassic World Reino Ameaçado (2018), os dinossauros vivem entre os humanos e outros animais. Alguns de forma pacífica e outros não. Owen (Chris Pratt), Claire (Bryce Dallas Howard) e Maisie (Isabella Sermon) agora vivem isolados levando uma vida tranquila até que tudo muda de forma drástica. 

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Enquanto a jovem Maisie precisa ser resgatada de um grupo de mercenários com motivações ocultas, uma praga criada em laboratório põe em risco o sistema de alimentação básica, colocando o equilíbrio natural e a vida no planeta em grande ameaça.

Resgatando “os personagens originais”, o filme então convoca o trio Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum. Jurassic World Domínio, portanto, promove uma reunião de duas gerações que não só aquece o coração dos fãs mais nostálgicos, mas também entretém o espectador com um clássico filme “sessão da tarde”.  

Personagens originais trazem a sensação de voltar às origens

Jurassic World Domínio
Imagem: Divulgação.

Embora seja incrível reencontrar Dra. Ellie Sattler, Dr. Alan Grant e Dr. Ian Malcom, o trio é inserido no filme como um escape nostálgico para os verdadeiros fãs da saga.

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A função deles dentro da narrativa de Jurassic World Domínio, dessa forma, seria facilmente atribuída ao elenco de apoio da nova trilogia. Após uma breve contextualização, parece que pouca coisa mudou na vida deles. Além disso, o trio logo mergulha na ação como nos velhos tempos, mas desta vez os riscos são maiores, assim como alguns dinossauros.

Com isso, então, o sentimento de nostalgia fica bem claro através de diálogos expositivos. 

Leia também: Jurassic Park e Jurassic World, ordem certa e onde assistir filmes

Tendo Owen (Pratt) e Claire (Howard) vivido toda a aventura nos dois filmes anteriores, isso os coloca em pé de igualdade com o trio original. Embora os grupos sigam narrativas distintas, seus caminhos convergem para combater o mesmo antagonista, Lewis Dodgson (Campbell Scott).   

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O CEO da Biosyn carrega o estilo e comportamento de bilionários contemporâneos de forma intencional. Ele lidera estudos que violam leis e realiza experimentos com dinossauros que causam desastres ecológicos. Mas tudo isso é camuflado com discurso de autoconsciência, vida sustentável e benfeitorias à vida humana. 

Além de promover o crossover entre os elencos de Jurassic Park e Jurassic World, o novo capítulo da saga aposta em um tema comum a franquia. O uso irresponsável da engenharia genética movido pela ganância. O roteiro também levanta a questão sobre tráfico de animais, com a compra e venda de dinossauros em um mercado clandestino em Malta.

Aliás, a cidade é palco de grandes sequências de ação que emulam filmes clássicos de ação liderados por Jason Bourne ou Ethan Hunt. Outro ponto abordado é a crise na produção de alimentos e a aceleração da redução da biodiversidade como resultados da exploração genética descontrolada. 

Mesmo com roteiro fraco, Jurassic World Domínio garante uma boa experiência cinematográfica 

No decorrer dos anos, as sequências recorreram a elementos do longa original de 1993, para entregar risco imediato e tom de aventura ao estilo Indiana Jones. Aqui a coisa não muda!

Ainda que Jurassic World Domínio tenha novas situações, em alguns momentos faz um breve aceno ao passado. É algo como se não tivesse necessidade de ter assistido aos filmes anteriores, mas também é importante ressaltar que conhecer a franquia enriquece a experiência.

Com isso, não espere por uma trama cheia de camadas. Ou mesmo personagens profundos e conflitos no roteiro. Aliás, os conflitos até existem, mas são resolvidos de forma simples. O que deixa o roteiro bem pobre, para dizer a verdade.

Contudo, a experiência de ação imersiva é bem executada. O que para alguns pode soar como suficiente para chamar esse filme de “bom” ou “o melhor da franquia”. Além disso, entendemos que o diretor quer o tempo todo chamar o público para ação, com sequências absurdas. Mas divertidas. 

Jurassic World Domínio
Imagem: Divulgação.

Colin Trevorrow imprime em sua linguagem cinematográfica o levantamento de alguns temas importantes, às vezes reciclados da própria franquia, mas acima de tudo sua intenção é entreter o público durante a projeção com 2 horas 26 minutos de duração. Ainda que não seja inventido, proporciona tensão e entusiasmo. 

O roteiro não carrega nada inovador e coloca seus personagens onde precisam estar para contar sua história. Mas a adição da atriz DeWanda Wise como a piloto Kayla traz o frescor que a saga jurássica precisava. Seu desempenho em tela chama muita atenção. O desfecho não poderia deixar de apresentar uma batalha de gigantes. Desta vez, quem marca presença é o Giganotossauro, conhecido como o maior carnívoro que já existiu. A clássica trilha sonora proporciona todo tipo de emoção durante a exibição do longa. 

Seria esse o fim da Era Jurássica? 

Jurassic World Domínio parece não se importar tanto com verossimilhança, afinal de contas, estamos falando de um filme de aventura com criaturas pré-históricas. O principal objetivo é divertir o público com um ritmo alucinante, sequências de ação de tirar o fôlego e cenários espetaculares.

De certa forma, o longa consegue captar um pouco o espírito da primeira trilogia. No entanto, o encontro de gerações parece não ter o peso esperado para um final da saga jurássica que celebra seus quase trinta anos. 

Enfim, o encerramento dos arcos é muito mais sutil que expositivo, entregando uma mensagem de responsabilidade ambiental e um caminho para uma coexistência pacífica. A sensação é que essa é apenas mais uma sequência é não um fim. Quem sabe daqui a alguns anos o estúdio volte a investir nos animais pré-históricos que conquistaram uma legião de fãs ao redor do mundo. 

Nota: 3/5

Bacharel em Direito, e atualmente cursando Marketing digital, sou fascinado pelo universo dos heróis e apaixonado por séries e filmes. Curto livros de suspense policial, boa música e reality shows. A série da minha vida , The OC. No Mix, colaboro com alguns textos de séries como, Blindspot , Ozark, La Casa de Papel entre outras. Quando não estou no cinema ou maratonando uma série estou me aventurando na cozinha.