Crítica: Kevin Atwater tem crise existencial no episódio 6×13 de Chicago PD

Atwater: What are you saying?
Ruzek: It’s tough to say because I’m white. And no matter how hard I try or how badly I want to understand what just happened, what you just experienced, I can’t. I never will. But I got your back always. Either way I got your back!

Eu começo assim essa review de Chicago PD, pois Ruzek expressou tudo que sinto sobre esse episódio em poucas palavras. Night in Chicago foi emocionalmente exaustivo. E eu não tenho como dizer que sei como uma pessoa negra se sente nessas situações, pois não sei, e nunca saberei. Só tenho a lamentar a atitude dos policias de Chicago e também de Voight.

PD vem dando uma aula nas séries policiais

Primeiramente, LaRoyce Hawkins foi espetacular. E, com certeza, Atwater esteve em sua melhor versão. Estamos vendo cada episódio com o foco em um deles, e isso foi o que sempre pedi de PD. Ademais, acredito que a série está em um ponto alto atualmente, realmente boa! Injustiça, marginalização, corrupção, PD vem dando uma aula. Mesmo nesse evento chamado episódio 6×13, Kevin mostrou sua indignação com o sistema, e também batendo em repetida tecla. Poderiam ter dado um toque mais pessoal para esse enredo dele também.

Ray x Kelton (poderiam sumir os dois)

Além disso, a história destes dois parece que não acabou nesse episódio. E influencia não somente Kevin, mas também o time, Ray e Kelton. Ray tem seu discurso, super correto convenhamos. Porém, é muito controverso como pessoa. Ele quer a limpa da cidade das pessoas ruins, porém é o primeiro a levantar a cidade contra a brutalidade dos policiais quando negros morrem pelas suas mãos. Totalmente aproveitador.

E Kelton, como odeio esse cara, ranço total, puro, destilado. Quando Kelton quis culpar Kevin pelo tiroteio, eu queria pular nele. Quão mais fácil sempre será culpar o policial negro do que dar uma chamada no policial racista? Algum dia isso vai acabar? Esse negócio de Kevin ter traído “seu pessoal”… Seu pessoal seriam os negros, e se não houvesse distinção, quem seria o seu pessoal? Seria toda a população de Chicago que ele bravamente tenta defender e proteger.

Até Voight me irritou nesse episódio

Eu que normalmente venho aqui defender Voight, estou chateada com ele. Além disso, não senti a mesma proteção que ele dá aos outros, para o Kevin. E se fosse o Atwater levar um tiro, hein? E outra, ele colocou a palavra de Kevin em dúvida, todos estavam escutaram a mesma coisa. Não seria a palavra de um policial negro contra a de um branco, seria a Inteligência contra ele.

Enfim, foi um tiro legítimo, Daryl resistiu. E, sim, Daryl e Kevin foram tratados de forma diferenciada e isso é enojante. Sobre a moral de Daryl, entram aí muitos conceitos. Perdeu o pai cedo, vivendo em uma área marginalizada, podemos analisar a atitude de uma pessoa com menos oportunidades que a média.

Porém, eu sei que tem o time do “Não importa as situações ruins da vida quem quer ser bom apenas é”… E sei que tem o time “sim, ele é vítima da circunstância, da sociedade que o cerca!”. Não quero gerar debate, mas acredito que é muito difícil viver onde o sistema rema contra sua maré.

Enfim, indignante! E é isso, “meu pessoal”, que inclui todos os seres vivos lendo isso.

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Caroline Marques

Caroline Marques

Engenheira de Alimentos, mestre em química de alimentos, um tanto quanto viciada em séries, filmes e livros. Fã de Hannibal, Dexter, Grey's Anatomy, Demolidor, Sherlock e Stranger Things. Reviewer de Chicago PD.

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