Crítica: Nada Ortodoxa, série da Netflix, traz bonita mensagem sobre recomeço

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Nova série da Netflix encanta… mesmo parecendo que isso não vai acontecer

Se não fosse a quarentena do Coronavírus, certamente a série Nada Ortodoxa passaria batida na minha lista de maratonas. Isso porque, a série em nada me chamou atenção. O trailer não foi atraente, e a sinopse menos ainda. Mas como não queremos estar em outro lugar além do sofá, desbravar o catálogo da Netflix virou quase que uma tarefa obrigatória.

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Foi através desta situação que Nada Ortodoxa se tornou uma grata surpresa. No entanto, uma série que começa um pouco maçante, como o trailer aparenta adiantar, vira uma importante lição – ao longo de seus episódios – que sempre é possível recomeçar. Não importa o que aconteça.

Mágica história

Para te convencer de que ela é incrível, Nada Ortodoxa é capaz de fazer qualquer mágica necessária através de seu roteiro. E ao analisarmos a história que ela quer contar, pensando amplamente, a série sobre uma mulher tentando se libertar de uma vida que a restringe, percorre este mesmo caminho.

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A série se aprofunda ao tratar da cultura judaica, mas ela vai além ao transpor o cenário para uma Berlim contemporânea. Assim, ressaltando o impacto e a importância dos ensinamentos vindo com essa mudança. É, definitivamente, uma jornada em todos os sentidos.

E não pense que somos completamente imersos em histórias mirabolantes. É na simplicidade de seu texto que Nada Ortodoxa encontra a sua maior riqueza para conquistar o espectador.

Uma história atraente

A atriz israelense Shira Haas interpreta Esther, ou Esty, uma jovem que, nos momentos iniciais do primeiro episódio, está tentando fugir de sua comunidade Satmar Hasidic do Brooklyn sem que ninguém perceba. Isso inclui o seu marido Yanky (Amit Rahav). Embora não sacamos de início porque ela quer fugir, o público automaticamente passa a torcer para que ela consiga alcançar seu destino. Afinal, é a partir disso que certamente descobriremos as motivações e interesses da trama.

Enquanto vamos conhecendo o tempo presente, enquanto a protagonista conhece Robert (Aaron Altaras) e seus amigos músicos, também conhecemos o seu passado o que a fez sair do Brooklyn. A partir dessa perspectiva, as roteiristas Anna Winger e Alexa Karolinski, fazem um estudo de personagem impressionante, através das memórias da autora Deborah Feldman – de onde a série adaptou a história.

A partir daqui, também acompanhamos a história de Yanky e seu desajeitado primo Moishe (Jeff Wilbusch) na tentativa de rastrear Etsy na Alemanha, em uma espécie de thriller. Logo, mesclar a narrativa da vida da protagonista, com essa espécie de perseguição, torna-se um charme para o texto e, consequentemente, um atrativo para o público seguir com a série.

Show de interpretações

A cineasta Maria Schrader também fez um belíssimo trabalho ao capturar rituais e detalhes hiper específicos. Véus, cortinas, portas de vidro e janelas fazem aparições regulares, em uma espécie de metáforas da barreira que existe entre a comunidade chassídica e o Brooklyn não-chassídico. A diretora também também aproveita ao máximo os close-ups no rosto de sua protagonista, aproximando-se para capturar momentos de angústia contidos e liberados.

Aliás, palmas para a protagonista. Haas faz uma performance extraordinária aqui, evocando medo, tristeza e uma mistura de ingenuidade e admiração pelo que ela descobre em Berlim.

Logo quando ela chega no destino, ela passa a vivenciar coisas que eram tidos como proibidos e banais para sua cultura. Assim, faz coisas que a maioria de adolescentes fazem como mecanismos de busca. Sua expressão certamente passa a amargura do que ela precisou viver, misturado com a vida jovem que ela não vivenciou. Momentos como ela na cafeteria, vendo casais se beijarem publicamente ou indo à praia pela primeira vez fazem da experiência dela – e do espectador – ainda mais mágica.

O momento que ela assiste a uma orquestra pela primeira vez é tão encantador que mostra Esty passando por um renascimento incremental depois de ficar longe do mundo inteiro por um período muito longo.

Vale ressaltar que, para destacar e reafirmar esse posicionamento, a série intercala entre os instantes com a cena em que ela é vista pela primeira vez pela família de seu futuro noivo “arranjado”. Duas realidades tão distantes, mas que convivem próximas.

A série também mostra, a partir de uma perspectiva, como que a cultura desta religião pode ser considerada patriarcal. Assim, vemos mulheres mal tratadas dentro dessa estrutura religiosa em particular, enquanto continua respeitando a própria religião, incluindo suas tradições mais encantadoras.

Sem dúvidas, toda essa evolução, vencendo as diferenças é uma coisa gratificante e bonita de se ver. Nada Ortodoxa é uma série que vale a pena, e ela não se esforça muito para isso.

Todos os episódios Nada Ortodoxa estão disponíveis na Netflix.

Crítica da Temporada9.5
Crítica da primeira temporada da série Nada Ortodoxa, produção original Netflix.
9.5
Anderson Narciso

Anderson Narciso

Criador, editor e redator do site Mix de Séries, é apaixonado por séries desde sempre. Fã incondicional de One Tree Hill, ER, Friends, e não perde um episódio da Franquia Chicago.

1 comment

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  1. Nada Ortodoxa: a história real que inspirou a série da Netflix - Mix de Séries 28 março, 2020 at 20:45 Responder

    […] Crítica: Nada Ortodoxa, série da Netflix, traz bonita mensagem sobre recomeço; Confira […]

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