Crítica: Mirando no espirituoso, 4×16 de Madam Secretary acerta no melodrama

Funny Valentine Madam Secretary
Funny Valentine Madam Secretary

Imagem: CBS/Divulgação

Continua após as recomendações

Falta de seriedade compromete todo o resto.

Desde o seu princípio Madam Secretary não poupa críticas ao desinteresse em exaltar a importância da diplomacia. Refletindo problemas de administração republicanas ou democratas, o intuito sempre foi de mostrar ao telespectador que força militar sempre deve ser a última opção. Em Funny Valentine, as cutucadas estão lá, mas longe do protagonismo que deveriam ter. Mesmo com uma excelente oportunidade de falar sobre maior proteção das embaixadas, um inspirado grupo de roteiristas decide seguir outro caminho e falar do que? De amor. E sim, o dia dos namorados por lá foi em fevereiro.

Continua após a publicidade

Funny Valentine Madam Secretary.1-2

Imagem: CBS/Divulgação

Vinte anos após um atentado na embaixada dos Estados Unidos no Sudão, o Departamento de Estado prepara uma homenagem às vítimas. O problema é que tal tragédia faz com que Elizabeth relembrasse seus tempos no comando da CIA e sua inabilidade de evitar tal ataque. Ela se sente responsável pelas mortes, até porque um dos seus subordinados estava no prédio e perdeu alguém importante. Enquanto isso, Matt e Daisy discutem uma forma não romântica e não sexual de se relacionarem. Henry tenta provar a si mesmo que seus dotes de conselheiro amoroso continuam funcionando.

E você não está errado se pensou – “Nossa, o episódio foi isso?” – porque a proposta de Funny Valentine foi basicamente essa. O debate sobre o tom da homenagem ou quais nomes seriam citados pela Secretária de Estado foi uma perda de tempo. Serviram para instigar um conflito inócuo com uma das vítimas do atentado e nada mais. E é extremamente frustrante ver que temas tão interessantes como alívio de sanções para nações inimigas e maior proteção à embaixadas ficaram renegados ao segundo plano.

Perda de uma chance.

Nas próximas semanas, Donald Trump deve anunciar o que fará com o acordo nuclear com o Irã. É provável que revogue um dos maiores feitos da Era Obama pelo que falou durante a campanha. Uma das suas justificativas? O país não cumpriu com o “espírito” do acordo e continua “agredindo” Israel. Além disso, está prevista para o final de maio um encontro entre Trump e King Jong Un, que pode resultar com o alívio de algumas sanções para um das nações mais fechadas do mundo. Tendo esses dois acontecimentos em mente, observa-se o quão interessante seria Madam Secretary abordar com mais profundidade tal tema. Das implicâncias internacionais, da relação com os aliados e até com a opinião do Congresso.

O mais ridículo, entretanto, ficou com a solução encontrada por Daisy e Matt para que o legislativo repense o corte de orçamento no Departamento de Estado: vídeos promocionais com cachorros. Não é fofo? O problema é que o assunto é sério e deve ser tratado com tal rigidez. Os roteiristas poderiam ter citado as falhas em Benghazi em 2012 ou os bombardeios em 1998 no Quênia e na Tanzânia. Sabe quando você recebe aquela ajuda na prova e mesmo assim não sabe o que fazer? Foi essa sensação que tive do episódios – grandes pretensões, mas pouca ação.

Avatar

Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

No comments

Add yours