Crítica: The Mandalorian, série do universo Star Wars, tem ótima estreia

Imagem de The Mandalorian
Imagem: Disney/Divulgação.

The Mandalorian busca inspiração na trilogia clássica para contar uma história simples, mas imperdível

The Mandalorian tem a mesma simplicidade encantadora de Uma Nova Esperança. No primeiro filme de Star Wars, víamos os personagens indo de um ponto a outro, resolvendo problemas e saltando para novas aventuras. Parte do sucesso do longa, que perdura indelével até hoje, é este objetivismo, este modo clássico de se contar uma história. Tanto Esperança quanto Mandalorian acertam em cheio naquilo que muitos tropeçam: apesar da densidade da mitologia, a trama não é confusa e os personagens são carismáticos em envolventes.

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É com essa simplicidade ao contar a história que faz de The Mandalorian um exemplar digníssimo do título Star Wars. Assim como Rogue One – outro derivado da saga -, a série mergulha sem amarras no universo, e acaba soando mais clássica e próximo da trilogia original do que os títulos mais recentes. Jon Favreau, o criador, e sua equipe, entendem cada milímetro do terreno, e entregam uma obra que homenageia e referencia sem depender apenas disso. No fim, Mandalorian é um bom e velho faroeste ancorado no rico universo criado por George Lucas.

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Apesar da escala épica, trama é intimista e direta

Ao contrário de adaptações como a recente His Dark Materials, que se perdia na complexidade de sua mitologia e na enorme galeria de personagens, Mandalorian resolve começar por baixo e ir devagar. Apesar do escopo visual e dos diversos termos que surgem nos diálogos, a série da Disney Plus investe em um fiapo de história: o mandaloriano do título é um caçador de recompensas que, depois de terminar os serviços ordenados, retorna à base para pegar novas tarefas. É aí que entra em contato com o Cliente, que promete uma grande recompensa pela captura de um fugitivo. Quase nada se sabe sobre o alvo; apenas sua última localização e sua idade, por volta dos cinquenta anos.

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Apesar de citações ao Império e ao contexto social e político do momento, não há, aqui, a complexidade política de A Ameaça Fantasma ou a urgência épica de O Império Contra-Ataca. The Mandalorian é, por enquanto, a história de um homem e sua rotina enquanto caçador de recompensas. Apesar de muitas aventuras, sua existência não parece interferir no grande quadro da guerra nas estrelas. Ainda assim, é interessante perceber como o personagem se insere na mitologia, podendo ter reflexos no cânone central, bem como ser influenciado por este.

The Mandalorian tem visual impecável e não deve nada aos filmes da saga

Em um episódio piloto com apenas 38 minutos, a aventura do caçador começa repleta de ação. Com direito a briga de bar, tiroteios violentos e perseguições, Mandalorian jamais deixa o ritmo cair. Enxuto, o piloto não perde tempo com informações desnecessárias ou diálogos longos demais. Assim como o protagonista, de poucas palavras, a série parte para a ação num piscar de olhos. E assim como o caçador de recompensas, o show executa suas tarefas com brilhantismo. Vale apontar, inclusive, que é uma pena que não possamos assistir à série nos cinemas. O visual é impecável e não deve nada aos filmes da série.

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Da fotografia, que tira o fôlego já na primeira cena, à trilha sonora sempre presente, Mandalorian é tecnicamente impecável. A direção de arte, como não poderia deixar de ser, é riquíssima. O universo é crível e calcado em cenários reais e efeitos práticos. A quantidade de detalhes ajudar na imersão do público e ainda permite diversos easter eggs. Além disso, os adereços e cenários ajudam na compreensão do espaço e do momento. É possível entender que a história se passa após a queda do Império, em um período de incertezas. Note, por exemplo, a sujeira nas armaduras dos stormtroopers que trabalham para o Cliente. Trabalhando de outras formas e sem o amparo do Império, os soldados parecem ultrapassados e desesperados, tomados pelo ambiente sujo e tumultuado.

Roteiro redondo e direção certeira garantem o sucesso do piloto

Os efeitos visuais também merecem destaque. Além dos efeitos práticos, que funcionam e dão textura ao universo, o CGI também chama atenção. Neste sentido, é positivo notar que a Disney não poupou tempo e dinheiro para criar uma série que não fique relegada ao limbo das produções “menores” que o cinema. The Mandalorian é épica e o visual trata de comprovar este perfil com folga. Elogios se estendem, também, à trilha sonora de Ludwig Göransson. Presente, mas não ao ponto de se tornar repetitiva ou intrusiva, a trilha presta homenagem às composições clássicas sem perder o frescor da novidade e de um novo olhar. Aqui, a música mescla a orquestra de cordas típica de Star Wars ao passo que dá chance a outros instrumentos, dando o tom estrangeiro e fora da lei do caçador de recompensas.

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Todos estes elementos funcionam graças ao roteiro redondo de Jon Favreau e à direção precisa de Dave Filoni. Enquanto Favreau bebe na fonte da trilogia clássica, Filoni injeta modernidade e dinamismo na condução da câmera. A sequência do tiroteio, no clímax, é um ótimo crescendo de ação com boas doses de humor. Apesar de ter comandado apenas animações (quase todas do universo Star Wars), Filoni se sai muitíssimo bem no controle do live-action, destacando o tom épico da produção e dando espaço para os atores brilharem.

Depois da ótima estreia, nível para os próximos capítulos é alto

O elenco, aliás, apesar de reduzido, funciona do início ao fim. Mesmo sem mostrar o rosto, Pedro Pascal confere personalidade ao caçador. Através do tom de voz que não esconde o sotaque e dos gestos, Pascal constrói um personagem difícil, mas carismático. O mesmo serve para Werner Herzog que, apesar do pouco tempo em tela, rouba a cena. Como não poderia faltar um androide, IG-11 também ganha o carinho do público através do bom humor e da parceria instantânea que se forma entre ele e o mandaloriano.

Em um piloto curtinho, The Mandalorian começa acertando em todos os quesitos. Promissora, a série ainda terá um novo episódio dirigido por Filoni, outro pela atriz Bryce Dallas Howard e um por Taika Waititi, de Thor Ragnarok. O futuro é incerto, mas o primeiro capítulo é um exemplo de piloto bem feito.