Crítica: WU Assassins, nova série da Netflix, foca na ação mas esquece da coerência

Artes marciais e misticismo são as marcas de WU Assassins

Recentemente chegou ao catálogo da Netflix mais uma série original da plataforma. WU Assassins conta a história do chef de cozinha Kai Jun (Iko Uwais) que mora no bairro de Chinatown em São Francisco. Ele descobre que é o escolhido para combater espíritos elementais do mal, com o objetivo de evitar a destruição do mundo. Assim, ele recebe poderes místicos dos antigos monges guerreiros e se torna o último assassino WU.

A mitologia é bem simples. Wu Xing é uma antiga força que se baseia em elementos como terra, água, fogo, madeira e metal. Por séculos esses poderes corromperam seus hospedeiros humanos e sempre representaram ameaça ao equilíbrio do mundo. A partir dai, surgiram os assassinos WU com a missão de eliminar todo o mal e impedir que o Wu Xing caia em mãos erradas.

Kai é protegido pelos espíritos dos mil monges, em especial por um interpretado por Mark Dacascos (John Wick 3). Ele é o típico protagonista de bom coração que está sempre disposto ajudar o próximo. Se posiciona contra a gangue Tríade que domina a cidade de Chinatown e está pessoalmente ligado a ela por causa de seu pai adotivo, o líder Uncle Six interpretado por Byron Mann (Altered Carbon).

Trama se perde tentando encontrar um equilíbrio entre ação, sobrenatural e mitologia

Logo no primeiro episódio, é fácil estabelecer semelhanças com outra série original da plataforma, Punho de Ferro. Ambas mostram um jovem escolhido que recebe poderes místicos para impedir que as forças do mal destruam o mundo. Os protagonistas têm um laço muito forte com uma dupla de irmãos. O ator Lewis Tan participa das duas produções. Além disso, a maior parte do elenco exibe suas habilidades de luta, e ambos os protagonistas precisam aprender a controlar seus poderes.

Quando se fala sobre um jovem envolvido com forças místicas combatendo o mal, com cenas de ação e artes marciais é impossível não lembrar do desenho “As aventuras de Jackie Chan”. E ainda que as cenas de luta não sejam tão exuberantes (Into the Badlands) ou carregadas de loucura e brutalidade (The Raid – Operação Invasão), WU Assassins entrega uma boa dose de artes marciais que vai deixar qualquer fã do gênero satisfeito.

É fácil identificar as fontes que a produção se inspirou e não digo isso como algo ruim. No entanto, parece que a única preocupação era entregar um conteúdo carregado de socos, chutes, brutalidade e magia. A trama a medida que se desenvolve parece se perder.

Elenco pode ajudar a tornar a série popular, mas não esconde suas falhas

WU Assassins é um drama urbano de artes marciais com elementos místicos, que traz um elenco conhecido do grande público. Iko Uwais, que vive Kai é ator, dublê, coreógrafo de luta e artista marcial. Não é um exímio ator, mas o foco é aproveitar o que ele tem de melhor a oferecer, suas habilidades com as artes marciais. E nisso ele cumpre bem seu papel.

Katheryn Winninck, nossa eterna Lagertha de Vikings, interpreta CG, uma ladra de carros e policial infiltrada na gangue da cidade. Mas sua missão se perde e deixa de ser uma subtrama importante. Lu Xin Lee, vivido por Lewis Tan (Into the Badlands), é amigo de Kai e dos irmãos Jenny Wah (Li Jun Li de Quantico) e Tommy Wah (Lawrence Kao de Sleepy Hollow).

Além disso, o grande vilão da trama Alec McCullough é vivido por Tommy Flanagan (Sons of Anarchy) e é um bom personagem, mas acaba evidenciando os grandes furos do roteiro.

Personagens de Wu Assassins reunidos em pôster.Imagem: Netflix

Alguns problemas da produção

O elenco de apoio, ainda que esteja presente na profecia do escolhido, tem seus próprios problemas mundanos além da trama mística que os envolve. Mesmo com um elenco enxuto, as subtramas não funcionam muito bem por não receber a devida atenção. Um ou outro personagem recebe um background e um desenvolvimento. Mas no geral as tramas são totalmente descartáveis. Alguns pontos no roteiro soam sem sentido, enquanto algumas respostas são dadas muito rápido. A série carrega uma boa dose de clichês e atuações medianas.

A sensação é que uma pessoa começou a escrever a trama e outra terminou. A mitologia do universo que WU Assassins é simples, porém é cheia de falhas e inconsistências. O roteiro possui buracos que poderiam ser facilmente resolvidos se a equipe de roteiristas tivesse um capricho a mais na construção desse mundo. Outro grande problema é o CGI. Kai é um metamorfo que pode mudar o rosto quando usa suas habilidades Wu, no entanto, os efeitos ficam bem aquém, assim como os poderes dos elementais.

Considerações finais

WU Assassins em sua primeira temporada com 10 episódios prova que tem potencial e pode ir muito longe. A serie é produzida por Tony Krantz (24 horas) e John Wirth (Hell on Wheels). As cenas de luta são ótimas, muito bem coreografadas, brutais e sangrentas. Embora as vezes a câmera não consiga acompanhar todos os movimentos. Este é o grande chamariz da série, mas peca por se apoiar somente nisso.

É o tipo de série que merece mais uma temporada para corrigir os erros. Além disso, uma chance para tornar a experiência do espectador ainda melhor. No entanto, com essa onde se cancelamentos, talvez a série não tenha um segunda chance. É melhor encarar como um novo guilty pleasure que segue uma formula fácil de entretenimento. Wu Assassins diverte e prova que entende muito bem de artes marciais e boas sequências de ação.

Qualquer um que seja fã do gênero vai se divertir maratonando.

Critica da Temporada7
Crítica da série Wu Assassins, nova produção original da Netflix.
7
Yuri Alves

Yuri Alves

Bacharel em Direito, fascinado pelo universo dos heróis e um viciado por séries e filmes. Sou um escritor a procura do meu espaço. Amante dos livros e da boa música. A série da minha vida , The OC. No Mix, sou responsável pelos textos de algumas séries como, The Defenders, Dynasty, Blinspot , Ozark entre outras. Quando não estou no cinema ou maratonando uma série estou me aventurando na cozinha.

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