Dicas: 5 séries de junho – e uma de julho – que você precisa assistir

Estamos de volta com as dicas do mês!

Dos meses, neste caso. O mês de julho foi tão catastrófico no quesito das estreias que apenas uma série merece recomendação. Por isso, excepcionalmente, você tem, neste post, indicações que abrangem dois meses, junho e julho. São seis programas que merecem sua atenção. No final do texto você ainda confere pequenas observações sobre as demais estreias.

Imagem: Amazon/Divulgação

1 – The Boys (Amazon Prime Video)

Nota: 90
Status: renovada

Julho foi um mês terrível. Tão terrível que apenas UMA série merece recomendação. Pelo menos trata-se da melhor estreia entre junho e julho e uma da melhores do ano. The Boys é diversão pura que ainda encontra espaço para colocar a mão na consciência e fazer aquele comentário social sem ser didática e quadrada. Na trama, o mundo vive protegido por super-heróis. O problema é que os poderosos são péssimas pessoas. Malvados, usam os poderes em benefício próprio, sem ligar para a segurança e bem-estar alheio. É aí que entram os rapazes do título, prontos para dar uma lição aos heróis. Texto, técnica e cultura pop se aliam em um dos produtos mais bacanas que 2019 produziu na televisão.

Imagem: HBO/Divulgação

2 – Euphoria (HBO)

Nota: 85
Status: renovada

Euphoria cresce com o tempo. É o tipo de série que começa tentando mostrar todas as forças e truques, mas que conquista realmente com o passar dos episódios. Você já deve ter ouvido a clássica frase: “a série fica boa no terceiro/quarto episódio”. Pois é o que acontece aqui. Logo no segundo capítulo já é possível entender melhor a proposta do texto e as dinâmicas entre os personagens. Euphoria é um programa ousado, com muitas vontades e ideias na cabeça. Por isso, é preciso estar alinhado com o projeto para, então, aproveitá-lo. Em resumo, é uma obra que entende os jovens que buscam retratar, e levam histórias sinceras à tela. O visual estilizado e o desenvolvimento novelesco fazem com que a série tire os pés da realidade mais crua, mas isso não é defeito, já que o trabalho é bem feito.

Imagem: Epix/Divulgação

3 – Perpetual Grace, LTD (Epix)

Nota: 82
Status: indefinido, com chances de renovação

Mistura de western moderno com noir, Perpetual Grace LTD. é uma espécie de Fargo sem neve e com desertos áridos. Na trama intrincada, um sujeito abraça as oportunidades conforme estas chegam às suas mãos. Tirar dinheiro de um velho casal? Parece bom. Assaltar uma loja de penhores decadente? Claro! Assumir a identidade de alguém que você nem conhece? Perfeito. Perceber que o velho enganado anteriormente é um psicopata? Coloque na lista também. E tudo isso acontece só no piloto! O roteiro investe em uma história cheia de acontecimentos e reviravoltas, mas a audiência pode ficar tranquila, pois nada é muito complexo. Basta embarcar nas loucuras e curtir as ótimas atuações do elenco, que conta com Ben Kingsley e Terry O’Quinn. Uma grata surpresa vinda de onde menos se espera, o pequeno canal Epix.

Imagem: Showtime/Divulgação

4 – The Loudest Voice (Showtime)

Nota: 78
Status: série limitada

A indústria e a crítica funcionam de uma forma curiosa. Em outros tempos, The Loudest Voice seria um dos programas mais suculentos da televisão: grande elenco, grande roteirista, assunto relevante e atual. Por algum motivo desconhecido, a minissérie protagonizada por Russel Crowe não ganhou o holofote que merecia e almejava. Mas deveria. Na trama, acompanhamos Roger Ailes em sua empreitada para montar a Fox News e, depois, mantê-la no ar, sempre no topo da audiência e à direita no espectro político. Grosseiro, preconceituoso, machista e abusador, Ailes construiu um império que crescia e ruía ao mesmo tempo. Um dos grandes nomes do conservadorismo americano, Ailes faleceu há pouco tempo, mas deixou o estrago para trás e para a posteridade.

Imagem: AMC/Divulgação

5 – Nos4a2 (AMC)

Nota: 75
Status: renovada

Depois de ver suas duas maiores séries chegarem ao fim (Breaking Bad Mad Men), o canal AMC ficou com uma incógnita na cabeça e um vazio nas mãos. Com The Walking Dead ainda arrancando alguma audiência insistente, mas cada vez menor, o canal segue na tentativa de encontrar um novo sucesso. Nos4a2 não é a sensação de crítica e público desejada, mas fez um bom serviço, garantindo a 2ª temporada. Na trama, baseada em livro de Joe Hill, uma adolescente descobre que pode ir a qualquer lugar do mundo apenas atravessando uma ponte. Basta ter algo para procurar. O problema é que estas passagens secretas são usadas e protegidas por uma criatura antiga, que rapta crianças para se manter eternamente jovem. Poderia ser menor, mas é divertida.

Imagem: Amazon/Divulgação

6 – Too Old to Die Young (Amazon Prime Video)

Nota: 70
Status: cancelada

A situação aqui é complicada: não estamos indicando Too Old to Die Young. Pelo menos não para todos. Para falar a verdade, nem nós mesmos sabemos se a série é realmente. Ainda assim, vale a lembrança aqui. Isso porque a série é altamente recomendada para os fãs de seu criador e diretor, Nicholas Winding Refn. Responsável por Drive, The Neon Demon e por ser uma das maiores vozes do neon noir, Refn tem um grupo de fãs fiéis, e Too Old é tudo que se pode esperar do sujeito.

A premissa é boa e a técnica é irrepreensível: da fotografia ao domínio de câmera de Refn, tudo funciona. O problema está no ritmo. Para os desavisados e menos habituados, a abordagem do diretor é delicada. O segundo capítulo, por exemplo, é tão arrastado que chega a irritar. De todo modo, quem resistir a este episódio e seguir adiante, pode ser recompensado.

Já que você está por aqui, confira outras estreias dos meses de junho e julho:

Jett (72): Thriller de ação que pode encontrar uma boa base de fãs. É enrolada demais para o grande público e os episódios são longuíssimo, o que não seria problema, caso houvesse algo a ser mostrado. Não é ruim, mas falta tempero.

Los Espookys (74): Comédia da HBO que investe na homenagem ao horror e no tempero latino. É um bom passatempo e rende alguma gargalhadas. Recomendada principalmente aos fãs do horror, que irão se deliciar nas referências do grupo.

City on a Hill (73): Um dos dramas mais promissores do ano começa de modo frio, mas pode engatar com o tempo. Precisamos dar mais uma chance para termos uma opinião completa, mas o piloto falha em mostrar o eventual poder do projeto.

Das Boot (65): Baseada na minissérie alemã homônima (lançada na América como filme, tendo concorrido ao Oscar na década de 80), Das Boot falha ao estabelecer uma conexão com o público. Apesar do esmero técnico, falta muito para o programa amarrar a atenção da audiência.

O Escolhido (55): As produções brasileiras da Netflix ainda não acharam o tom certo para suas atuações. Ainda que o texto seja interessante, é sofrível acompanhar os atores tropeçando nas próprias falas. O trabalho é tão irregular que tira o público da experiência.

The Rook (63): Tem algo bem bacana escondido em The Rook, mas isso não fica evidente nos primeiros episódios. O roteiro patina numa mitologia muito elaborada, o que acaba afastando o público dos acontecimentos e personagens. Faltou polimento.

Julho

Typewriter (0): Um desastre absoluto da Netflix. Produção indiana de péssimo gosto que ainda plagia curtas e filmes na maior cara de pau.

Another Life (20): Julho foi um mês difícil para as estreias da Netflix. Another Life é um enorme equívoco, com grandes embaraços no elenco e um roteiro vergonhoso. Uma bomba tão grande que a plataforma nem fez muito alarde na divulgação.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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