Primeiras Impressões: Ilha de Ferro, a aposta do Globoplay

Evento de lançamento de Ilha de Ferro. Imagem: Mix de Séries

“O petróleo é nosso”

A nova série do Globoplay, Ilha de Ferro, explora uma trama ao mesmo tempo pessoal e política. Para isso, aborda o drama de pessoas que vivem entre a terra e o mar. A série é a aposta da plataforma da Globo a fim de concorrer com outros serviços.

Com um elenco extenso e composto por nomes de peso, como Cássia Kis e Osmar Prado, o primeiro episódio de Ilha de Ferro foca na apresentação dos seus protagonistas. O núcleo duro da série envolve Dante (Cauã Reymond), Júlia (Maria Casadevall), Leona (Sophie Charlotte) e Bruno (Klebber Toledo).

A princípio, a história é centrada em Dante, um engenheiro de plataforma que almeja se tornar o gerente responsável pela PLT-137, conhecida por seus inúmeros problemas. O personagem transita entre um estilo fraterno e durão, sobretudo, nas relações com seu irmão Bruno e seu amigo Buda.

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Em paralelo, a história de Júlia é desenvolvida em torno do tema político. Ela é filha do novo Ministro de Minas e Energia, defensor da privatização da PETROBRAS, e neta do presidente do sindicato dos petroleiros. O conflito familiar e a postura de Júlia como uma mulher forte, porém problemática, tornam sua trama interessante.

Os demais personagens, de início, aparecem como acessórios aos dois protagonistas, sendo pouco explorados. Quem ainda recebeu mais tempo de tela foram Leona, esposa de Dante, e Bruno, que têm um caso.

Conflitos entre a terra e o mar

No primeiro episódio, a série se esforça em construir o contraponto entre a vida embarcado dos petroleiros e seu retorno à terra. A ideia central do roteiro é que a plataforma se torna o ambiente preferido dos personagens, com problemas em terra.

Apesar disso, vemos também um cenário conflituoso na PLT-137, com uma forte disputa por poder e autoridade. Essa transição, por sinal, foi ruim para as atuações. A tentativa do roteiro em criar dualidade nas relações não foi transmitida na direção dos atores, gerando ambiguidades com tons artificiais.

Por exemplo, os diálogos entre Dante e Astério (Milhem Cortaz) criam uma ambiguidade forçada entre os dois, estabelecendo uma tensão não demandada pela história, ao menos até então.

Em paralelo, na terra o centro do problema é a relação entre Dante, Bruno e Leona. O trio rende boas cenas de diálogos; uma sequência de ação bem filmada, porém ilógica, e outras de teor sexual. Leona é uma personagem com potencial para crescimento na série, enquanto Bruno parece oferecer menos.

Próximos passos

A partir da apresentação de conflitos, como deve ser um primeiro episódio, Ilha de Ferro mostra uma união de elementos das série americanas com as produções nacionais. De fato, a temática escolhida para a série permite uma abordagem mais “à brasileira”.

A série já foi renovada para mais duas temporadas, indicando a aposta da plataforma na produção. Dessa forma, fica a expectativa para vermos a profundidade dos conflitos e dos personagens apresentados nesse primeiro episódio.

Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

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