Primeiras Impressões: The Equalizer é confuso, mas série é promissora

The Equalizer
Imagem: CBS/Divulgação

Afinal, quem precisa de novidades? Mas The Equalizer está aí!

Quando a CBS anunciou a encomenda de uma primeira temporada de The Equalizer pensei que seria bastante complicado reproduzir o sucesso dos dois filmes na televisão. Felizmente, estava com os fatos errados. Na verdade, a série é baseada no drama homônimo exibido pela própria CBS a partir de 1985. O que isso sugere? Que é possível transformar esse material em televisão. Desde que, evidentemente, tenhamos roteiristas e produtores capazes de desenvolver uma história envolvente. Analisando pelo episódio piloto e entrevistas, acredito que a emissora encontrou seu novo sucesso. O problema é convencer o telespectador a voltar para o segundo episódio.

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No Piloto temos Robyn McCall (Queen Latifah) desiludida com sua carreira na CIA, agência de inteligência internacional do governo americano. Sua recente missão na Venezuela não foi bem sucedida em razão de decisões políticas e por isso vai pendurar as chuteiras. Contudo, nem todos estão de acordo com essa decisão. William Bishop (Chris Noth) tenta persuadi-la a mudar de ideia. O problema é que, mesmo não querendo, ela se vê diante de uma situação onde toda a sua expertise é necessária. O caso acontece logo na abertura do episódio onde uma moça presencia um assassinato, cujos responsáveis encontram uma forma de responsabiliza-la.

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The Equalizer
Imagem: CBS/Divulgação

Um bom arroz com feijão também é bom

A partir dessa síntese é possível que o leitor torça o nariz e pense que já viu isso. Isso porque, você realmente assistiu esse material. Seja no cinema ou na televisão. Não há nada surpreendente. Algum segredo guardado pela protagonista, tampouco um pegadinha nos últimos cinco minutos. Absolutamente nada. E quer saber? Não há nada de errado com isso. Televisão de massa precisa agradar uma população maior do que os assinantes da Netflix ou do StarzPlay.

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Meu problema com o piloto, contudo, não é sua falta de criatividade, mas sim a teimosia em problematizar uma história que, caso apostasse na simplicidade, seria muito mais interessante, sedutora e aproveitável.

Começamos com um assassinato cujo roteiro esquece completamente de resolver. A história segue para uma quadrilha internacional incompreensível. Logo esbarra num executivo de automóveis que se espelha em Elon Musk. É perceptível que o próprio roteiro sofre para se reencontrar diante de tantas pontas soltas. O telespectador, portanto, se vê diante de uma narrativa incompreensível e pouco interessante. Sequer temos disposição em expressar empatia pela moça no centro do problema. O que é notável haja vista que séries do gênero agradam o telespectador justamente pela proteção, amparo e cuidado com a vítima.

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The Equalizer
Imagem: CBS/Divulgação

É preciso tomar nota

Queen Latifah é uma das poucas coisas que funcionam nesse primeiro episódio. Para efeitos de curiosidade, ela é Apenas a quarta mulher negra a estrelar uma série de uma hora de duração na TV aberta. Atrás apenas de Teresa Graves por Get Christie Love!; Kerry Washington com Scandal; e Viola Davis mais recentemente com How to Get Away With Murder. Sua entrega, portanto, é visível. Com quase 41 anos, ela surpreende em encarar as sequências de luta e não. É um alento que em 2021 uma mulher negra e madura seja chamada para esses personagens. Outrora, é importante ressaltar, tais personagens eram reservados para homens brancos (e sem talento) nos seus trinta e poucos anos.

Em suma, acredito que a CBS encontrou seu produto perfeito. Dessa forma, cumpre a promessa de mais diversidade nas suas produções e, além disso, entrega um drama de ação que turbina as chances de ser um sucesso comercial. Bem como internacional. O problema é que roteiro precisa entender que nós estamos aqui para um entretimento despretensioso. Com explosões e tramas escandalosamente divertidas. Por isso, acredito que problematizar serão receitas para fracasso. Sendo assim, The Equalizer precisa entender que a sua força encontra-se também na sua simplicidade.

Catarinense e bacharel de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.