Séries de heróis estão cansando e público está abraçando as sátiras

Séries como The Boys e Umbrella Academy vão contra o habitual gênero de heróis

A televisão vem vivendo uma saturação com as séries de heróis, se assimilando um pouco ao que está acontecendo nos cinemas. É inegável que o gênero ainda faz sucesso, e a prova disso é que Vingadores Ultimato acaba de se tornar a maior bilheteria da história. Logo, você só consegue estar no topo se for um longe de heróis ou produzido por James Cameron. Mas toda essa popularidade ocasionou uma produção exagerada destes produtos, lotando tanto as salas de cinema quanto a TV de capas e capuzes.

No meio do entretenimento, já usa-se o termo “fadiga de super-heróis“, justamente para acusar esse fenômeno que teve sua alta mas já está completamente saturado. Logo, o impacto já não é mais o mesmo justamente pela quantidade em que vem sendo produzida. As produções também começam a se repetir e utilizar estratégias de forma igual. Mas em 2019, duas atrações que caminham em direção contrária a dos habituais selos Marvel e DC acabaram ganhando confiança do público. As séries The Boys, do Amazon, e Umbrella Academy, da Netflix, são sátiras do gênero e tiveram uma resposta bastante positiva do público.

O diferencial de The Boys e Umbrella Academy no gênero de heróis

É um pouco difícil ressaltar o desgaste desse gênero, no momento em que Vingadores alcançou o topo das bilheterias. Mas ela existe. E parte disso vem pelo excesso dessas produções. Um exemplo é Shazam, da DC, que teve uma excelente bilheteria com o público. Porém, o impacto foi mínimo porque Vingadores estreou logo na sequência. O mesmo acontece na televisão, com as várias séries da Marvel da DC Comics estreando mensalmente.

Talvez, seja por isso que as séries da Amazon e da Netflix tenham nadado em uma direção contrária. Assim, conquistando prestígio do público. Ambos, The Umbrella Academy e The Boys, fogem dos moldes de uma típica série de super-heróis de uma forma impressionante, mas cada um o faz de uma maneira muito diferente.

Baseado nas histórias em quadrinhos de Gerard Way e Gabriel Ba, The Umbrella Academy se concentra em uma equipe de irmãos adotivos com habilidades sobre-humanas. Logo, eles foram treinados como uma unidade de combate ao crime. Isso é essencialmente onde as convenções do gênero terminam, porque a série rapidamente voltando seu foco para outros fatores. Entre eles, uma conspiração de tempo, e as lutas internas relacionadas ao temperamento de cada irmão.

Protagonistas de Umbrella Academy fogem do convencional. Imagem: Netflix/Divulgação

Tomando forte influência do passado de Way como vocalista do My Chemical Romance, The Umbrella Academy está encharcado de um humor negro. Tais elementos, certamente, não serão encontrados em um blockbuster genérico de super-herói, o que chama atenção aqui. A principal força é ser capaz de contar uma história bastante sombria com uma reverência tão alegre que os espectadores sentem genuinamente cada batida emocional.

The Boys tem uma abordagem bastante diferente. Adaptado dos quadrinhos ​​de Garth Ennis e Darick Robertson, ela tem um olhar super-cínico e racional sobre o conceito de super-heróis. Bem como em seu papel como ícones de mídia na vida real. A adaptação live-action do Amazon mostra os super-heróis como criminosos imorais e corruptos que só estão interessados ​​em aumentar seus seguidores e seu saldo bancário. A solução para esse problema? Violência sem remorsos.

The Boys fornece uma visão corajosa e realista sobre como os super-heróis pareceriam no mundo moderno. Por conta disso, funciona em vários níveis. É uma história de como o poder pode corromper, se contrapondo com os valores tradicionais de super-heróis. O showrunner, Eric Kripke, satiriza heróis tanto a DC quanto a Marvel. Além disso, se baseia no humor grosseiro que funcionou tão bem para Deadpool. Talvez a qualidade mais subversiva da série, no entanto, seja entregar uma visão genuinamente desconfortável em momentos apropriados, destacando os dilemas morais para o público em tela.

Personagem em The Boys satirizam material da DC e Marvel. Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video

A fadiga de super heróis causou o sucesso de The Boys e Umbrella Academy?

As primeiras conversas para adaptar The Boys surgiram em 2010, quando o gênero dos heróis estavam em alta. Porém, ela não foi pra frente de forma rápida justamente por nadar contra a maré do que estava fazendo sucesso. Foi só em 2015, entretanto, que o Amazon começou a investir na produção, confirmando suas gravações em 2017. Com The Umbrella Academy, o caminho foi semelhante. Em 2011, foi levantada a possibilidade de uma adaptação cinematográfica – uma noção que mais uma vez falhou em se materializar. Porém, em 2017, a propriedade acabou sendo comprada pela Netflix.

Isso aponta que apenas quando as críticas sobre a saturação do gênero começaram a aparecer que ambos os estúdios resolveram investir nas atrações. Claro, eles poderiam ter ganhado suas adaptações anteriormente, mas provavelmente o sucesso não seria mesmo. O ponto é que o público vem buscando, justamente, um frescor nestas histórias. E por serem completamente diferentes, é que conquistaram seu espaço.

A prova veio com a popularidade instantânea de ambas as produções. Enquanto Umbrella, na Netflix, conquistou uma audiência maior que a primeira temporada de Stranger Things quando lançada, The Boys se tornara a série mais vista do Amazon Prime Video. Esse sucesso é em ambos os casos, mas considerando o quanto The Umbrella Academy e The Boys saem do mainstream, pode-se sugerir que os espectadores estão procurando ativamente por histórias de super-heróis que intencionalmente desafiam as convenções. Portanto, por conta de todos esses fatores, tais produtos tiveram uma audiência muito além do que poderia ter sido, caso não houvesse as adaptações da Marvel e DC.

Vale lembrar que tanto The Boys quanto Umbrella Academy já estão renovadas para a segunda temporada.

E então, você gostou de alguma delas? Deixe nos comentários a sua opinião.

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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