Você precisa assistir The Good Doctor, o mais novo fenômeno das séries de TV

Imagem: ABC/Divulgação

The Good Doctor foi um sucesso instantâneo…

Uma nova série chegou para arrebatar corações, estando o público completamente apaixonado por suas histórias. This Is Us? Não, isso já é passado! Estamos falando de The Good Doctor, nova série médica do canal ABC – e que chega ao Brasil pela Globo/Globo Play.

A série se torna mais uma rara produção da TV aberta, nos dias de hoje. E talvez seja este o seu diferencial. Muitos podem não entender, mas algumas séries de TV nos Estados Unidos são exibidas em canais abertos (como a Globo e o SBT, aqui no Brasil), e outras em canais fechados (nos mesmos moldes daqui, e aí entram HBO, AMC, entre outros…). Essa separação vem definindo a qualidade das produções de séries nos últimos anos, onde a TV fechada vem produzido massivamente conteúdo de qualidade. Já a TV aberta ficou à escanteio, produzindo séries extensas de 22 episódios por temporada, mas sem qualquer atrativo ou diferencial. Na temporada passada, como já citei, This Is Us cumpriu esse papel de trazer prestígio para as séries de TV aberta e, desta vez, coube a The Good Doctor esta função.

Diferencial que conquista… 

Citei o fato dela ser produzida por um canal aberto (o mesmo de Grey’s Anatomy), justamente para destacar que a linguagem fácil – produzida para uma ampla massa – talvez seja um dos ingredientes importantes que está dando liga a esta produção.

A série conta a história de um médico, Dr. Shaun Murphy (interpretado por Freddie Highmore de Bates Motel), que possui uma espécie de autismo e precisa enfrentar todos os tipos de preconceitos ao entrar como o mais novo cirurgião de um hospital renomado em San José, na Califórnia.

Imagem: ABC/Divulgação

E engana-se quem pensa que a série explora de forma pesada o drama em torno do universo médico. Muito menos, torna-o uma espécie de novela sobre os relacionamentos de seus personagens (definitivamente, não temos nada de Grey’s Anatomy por aqui). O foco da série é abordar como o autismo pode funcionar no dia-dia, colocando como plano de fundo o trabalho do médico e da sua equipe. Os casos são bem interessantes, mas é na forma de viver do protagonista que encontramos um atrativo.

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Isso me lembra um pouco o formato de House M.D. (não a toa, estamos falando de uma outra série do criador de The Good Doctor, David Shore), onde o médico protagonista rabugento e peculiar conquistou a todos. Longe de Shaun ser rabugento, mas a sua perspectiva do mundo – frente a perspectiva comum, nos traz um olhar que conquista a cada episódio.

Assim como House, as histórias giram em torno de Shaun e sua forma peculiar de trabalho, dando a série um charme único. E, como citei, não vemos isso ser explorada de uma forma “pesada”. O humor, inclusive, está presente nesta série. Não para zombar de Shaun, mas sim pela forma de colocar sua visão única do mundo em contraponto a de todos os outros. “Eu gosto do humor da série. Eu acho que muito disso vem da visão esperançosa e otimista de Shaun sobre a vida. Ele sempre tenta ver o bem nas pessoas. É bom desempenhar um papel no qual você pode ser feliz o maior tempo “, disse o protagonista Freddie Highmore, em recente entrevista. É justamente neste caminho que talvez possamos encontrar a fórmula do sucesso de The Good Doctor.

O protagonista é um show a parte!

Um outro ingrediente importante tem nome: Freddie Highmore. O já citado protagonista está incrível. Muitos o chamam de “esquisito”, mas percebam: esse é ele sendo genial ao representar os traços de autismo incrivelmente bem.

Estranhamento social, falta de contato com os olhos, dificuldade de compreender o sarcasmo. Tudo isso vem sendo mostrado de forma apaixonante. A série, claro, não deverá ficar presa a este centro. Eu espero que ela vá além e mostre mais deste cotidiano com o autismo, mas, até agora, tem feito um trabalho incrível.

Imagem: ABC/Divulgação

Apesar de explorar o formato “clássico”, de ter um paciente por episódio e dali seguir a linha narrativa da semana, The Good Doctor pode ter alcançado o sucesso neste nicho. Mas também, pode ser por conta do desgaste do formato em outras séries médicas. OK, nós amamos Grey’s Anatomy, mas até nós, fãs mais fervorosos, temos de admitir lá no fundo dos nossos corações que temos assistindo mais do mesmo com a série de Shonda Rhimes. Mesmas histórias, mesmos ritmos. Claro, poderíamos assistir por mais dez anos. Mas, mesmo assim, quando nos deparamos com um formato novo, algo que fuja do comum neste gênero, nossos olhos crescem. Talvez, essa carência do “novo”, dentro de uma forma clássica de se fazer séries médicas é que tem despertado atenção do público.

O sucesso é inegável: The Good Doctor já descambou Grey’s Anatomy como a série médica mais assistida da TV, e já descambou The Big Bang Theory e This Is Us como o drama mais visto. Os números são impressionantes: 20 milhões de pessoas estão assistindo semanalmente a série – sendo metade delas por Streaming.

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Em tempos como hoje, onde tudo gira em torno das mídias, são números incríveis. Grey’s, há 14 anos, conseguia juntar 18 milhões semanalmente na frente da televisão e está em uma longa caminhada. Se com a ajuda do streaming, a trama do médico autista já chegou a este ponto com apenas cinco episódios, prevejo um sucesso incontestável. É possível que o drama se torne uma das grandes atrações da TV, receba prêmios e se torne a nova queridinha do público – sem desmerecer qualquer outra. E como estamos falando da era das mídias, aquilo que faz barulho, chama mais atenção ainda. Logo, o “boca a boca” da série tem surtido um efeito impressionante, onde a cada semana mais pessoas se juntam ao grupo de fãs já formado para a série.

Com histórias e personagens simples, The Good Doctor mostrou que é possível continuar fazendo séries de qualidade na TV, sem a necessidade de grandes reviravoltas, explosões megalomaníacas ou eventos catastróficos em hospital. É possível mostrar a realidade, nua e crua, o preconceito, as dificuldades de síndromes como o autismo e os problemas da vida.

O próximo passo é manter esta qualidade. Porque potencial para se tornar a nossa série do coração, certamente este drama médico já tem.

E o público brasileiro poderá aproveitar a oportunidade de conferir os dois primeiros episódios da série em uma exibição especial na Rede Globo, nesta segunda (27), na Tela Quente. Todos os outros episódios já estão disponíveis na plataforma GloboPlay.

Leia maisThe Good Doctor – saiba tudo sobre a série do médico autista exibida pela Globo

 

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Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.