WarnerMedia e Discovery se fundem contra a Netflix e Disney

Zack Snyder's Justice League-2
Imagem: HBO Max/Divulgação

Quem está ganhando a guerra dos serviços de streaming?

Essa é uma pergunta que paira sob a indústria desde quando empresas como WarnerMedia, NBCUniversal e Apple começaram a anunciar suas próprias plataformas. Meses após o lançamento de boa parte desses serviços, e uma pandemia no meio, a pergunta já tem algumas respostas. Está claro, no momento, que a Netflix lidera o mercado e a Disney+ vem logo atrás. Mas o que dizer do restante dos serviços?

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Temendo ficar para trás e buscando uma maior musculatura, a AT&T anunciou nesta segunda-feira (17) que pretende fundir a WarnerMedia com a Discovery Inc. A nova empresa será negociada na bolsa de valores de forma independente. Além disso, lembro que os acionistas da AT&T controlarão 71% da nova companhia. Ao mesmo tempo que os da Discovery Inc. ficarão com 29%, embora o conselho de ambas continue com direito a voto nas deliberações internas.

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A nova empresa

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Game of Thrones, WarnerMedia
Imagem: HBO/Divulgação

A nova empresa terá, portanto, todo o combinado abaixo num só:

WarnerMedia: CNN, CNN International, CNN En Español, HLN, HBO, HBO Max, Warner Bros. TV, Warner Bros. Pictures, Cartoon Network, TNT, TBS, TruTV, Adult Swim, AT&T SportsNet, Boomerang, Cinemax, Crunchyroll, DC Comics, TMZ, Turner Classic Movies, Warner Bros.

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Discovery Inc.: Discovery Channel, HGTV, Food Network, TLC, Investigation Discovery, Travel Channel, Turbo/Velocity, Animal Planet, Science Channel, OWN e discovery+.

O que ainda não se sabe

Irmãos a Obra
Imagem: HGTV/Divulgação

O que será do discovery+? No final de abril, a empresa anunciou que tinha pouco mais de 15 milhões de assinantes. Com os planos de expansão da HBO Max, que chega na América Latina mês que vem, não sabemos ainda qual streaming a empresa vai priorizar ou se manterá ambos. A ViacomCBS, lembra-se, mantém a Showtime Anytime ao mesmo tempo que tem a Paramount+.

Antitruste: lembro que a combinação de ambas as empresas gerará uma companhia gigantesca, o que pode levar o Departamento de Justiça dos Estados Unidos a tentar bloquear o acordo. E não só lá. Como ambas operam em boa parte do mundo, elas terão que passar pelos crivos locais. Brasil, México, Reino Unido, Filipinas, só para citar alguns, têm marcos regulatórios muito sólidos contra monopólio.

Os bastidores

Godzilla vs. Kong, WarnerMedia
Imagem: Warner Bros./Divulgação

O CEO da nova empresa deve ficar com David Zaslav, que atualmente controla toda a estrutura da Discovery. À primeira vista, o acordo visa criar uma empresa que terá condições de competir com a Disney+ e a Netflix. Contudo, é importante lembrar que desde anunciada, a compra da Time Warner pela AT&T, que eventualmente viraria a WarnerMedia, se transformou num problemão para empresa.

Primeiro veio o processo antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos visando derrubar o acordo. Fala-se que Donald Trump queria se vingar de cobertura desfavorável da CNN, mas a AT&T foi forçada a perder tempo e dinheiro com advogados para compra sair. Com a consolidação do acordo, veio uma dívida enorme de 170 bilhões de dólares. Impossibilitando que a AT&T, uma empresa primeiramente de telefonia, investisse no próprio negócio, como ampliação do 5G, por exemplo.

Além disso, lembra-se que a empresa teve dois CEOs em três anos: John Stankey, atual chefe da AT&T, e Jason Kilar. Sem contar com o lançamento mediano da HBO Max, que só agora, em grande parte por causa de Godzilla vs. Kong, vem atraindo mais assinantes. O acordo permitirá que a AT&T volte a focar em telefonia, pague boa parte da dívida e lucre, eventualmente, com o sucesso da nova empresa.

Em conclusão,

Gráfico - Axios
Imagem: Axios

Como o gráfico acima sugere, a Netflix e a Disney+ é quem estão ganhando a guerra dos streamings. A Amazon Prime Video e Apple TV+, ressalto, nem buscam concorrer. Ambas têm caixas enormes para gastar o que quiserem e quando quiserem, vide The Morning Show e a série de O Senhor dos Anéis. O conceito de negócios delas é muito mais uma oferta adicional do que substituir o negócio principal, e-commerce e tecnologia, respectivamente.

‘Compre essa torradeira e ganhe um mês grátis de Prime Video’ ou ‘Compre um iPhone 11 Pro Max e ganhe a AppleTV+ por mais seis meses’. Esse é o cálculo. Já Hulu, Paramount+, Peacock e diversos aplicativos menores, como StarzPlay e AMC+ por exemplo, ainda precisarão de muito chão para competir.

Catarinense e bacharel de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.