10×03/04 de American Horror Story tem escolhas e consequências

American Horror Story: Double Feature, continua a sua temporada de forma louvável. Os episódios 03 e 04 dessa novo ano são a prova disso.

American Horror Story: Double Feature nos apresenta, novamente, um duo de episódios excelentes. Apesar de não gostar muito pessoalmente do terceiro, ele foi competente dentro daquilo que a série está propondo. E o quarto, foi um dos melhores episódios que eu já assisti de toda a série. Vamos falar um pouquinho sobre cada um deles!

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10×03 – Thirst

Aqui o foco do episódio é nas consequências do uso da pílula na família de Harry e o seu relacionamento com a filha, Alma (que virou vampirinha). Tanto que a Dores, assim como a sempre belíssima Lily Rabe já são escanteadas logo no início do episódio. Pessoalmente, eu não gostei do episódio, mas seria extremamente injusto classifica-lo como ruim por isso. Mas todo esse plot da Alma se tornar vampira, eu vejo como uma escolha narrativa muito fácil e até óbvia para que renda história. Afinal, considerando essa informação, o que você esperaria? Que ela se descontrolasse, certo? Exato! E foi isso que aconteceu. Se a decisão fosse colocar a personagem nessa situação, mas trazer algo inesperado ou novo eu não veria problemas, mas o caminho escolhido foi muito óbvio.

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Além disso, a desempenho da Ryan Kiera Armstrong foi bem, bem burocrático. Ela se entrega a maneirismos fáceis e faz uma caricatura bem comum a esse tipo de drama. Claro, todos nós imaginamos as dificuldades e cuidados na direção de atores mirins, mas ainda assim, visando a importância da personagem para a história (ela é, inclusive, a atriz mais jovem a aparecer na abertura da série). A gente espera algo com melhor polimento.

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Mas tirando essa minha implicância, o episódio foi muito competente. Primeiro, ele cumpre o seu papel de dar mais profundidade a essa trama e explora maiores consequências sobre o uso da droga. E segundo, ele tenta adicionar uma maior carga dramática a história, visando fazer com o que a gente se importe mais com esses personagens. E nisso o episódio se sai muito bem.

10×04 – Blood Buffet

Conceito, coesão e aclamação!! Não tenho outras palavras para descrever um episódio tão perfeito. O melhor da temporada até o momento e um dos melhores episódios de toda a série. Sério, gente o que foi isso? American Horror Story já teve muitos episódios de origem, mas nunca um tão bom quanto esse.

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E apesar de tudo nele não estar menos que ótimo, grande parte da grandeza do episódio possui nome e sobrenome: Frances Conroy. A atriz, veterana da série, dá um show de atuação contando a origem da temível Belle Noir. Com direito a “chupação” de sangue em pescoço, marido esquartejado e tudo mais que a gente gosta.

Esse episódio poderia ser considerado aquele filler burocrático que quase toda série tem. Que é quando voltamos ao passado para contar a origem de personagens e/ou de algum acontecimento. Mas ele é tão perfeitamente executado, com uma direção tão precisa Axelle Carolyn que tudo da certo e o episódio evita cair em todas as armadilhas preparadas para ele. Pela primeira vez vemos a personagem da Angelica Ross, a Química, que é a criadora da substância que aumenta o talento das pessoas. É interessantíssimo ver a evolução dela em quanto atriz. Ela que veio da série Pose e participou da temporada passada, 1984, e mesmo se saindo muito bem ainda carregava nos trejeitos e maneirismos de Candy, personagem que á alçou ao mundo. Aqui ela tem uma atuação muito mais contida e a altera da sua personagem. Algo incrível. Mas voltando ao episódio?

American Horror Story 10x04
Imagem: Divulgação.

Porque é tão bom?

É muito bom quando algo dentro de uma série se encaixa de forma tão orgânica. E foi exatamente isso que aconteceu aqui. O episódio voltou no tempo para mostrar a origem de tudo que causa os efeitos que os três primeiros episódios começou, mas não de qualquer jeito para preencher lugar. Foi tudo muito bem conduzido e orquestrado. Toda a narrativa de surgimento das pílulas e dos primeiros personagens que a tomaram foi uma delicia de se acompanhar. Engraçado que até o vampirão sem cérebro teve a sua origem revelada, como o primeiro dos vampiros-zumbis-andantes, que acontece quando alguém que não tem talento toma a droga.

Fora isso toda a parte técnica continua invejável. Double Feature possui a fotografia mais bonita do que qualquer outra temporada da série. E produções com locação em praias, geralmente restringem muito a sua forma de filmar, dado que as condições climáticas que ditam o ritmo. Aqui na série, isso não acontece. Mesmo nessas locações, a série abusa de planos abertos e fechados, a ambientação e efeitos como o vento não aparenta artificialidade e o trabalho sono é muito competente. Dessa forma, Double Feature possui um esmero técnico invejável.

Como American Horror Story está?

A série continua a sua caminhada de sucesso, justificando porque é a temporada de AHS mais bem avaliada da crítica até agora. Alguns pontos precisam ser ajustados, tipo a personagem da Sarah Paulson que só existe porque é a Sarah Paulson. Mas o saldo final é muito, muito positivo! Quando nos encontrarmos de novo, falaremos sobre o final dessa primeira metade da temporada, que a partir do sétimo episódio deve apresentar uma história nova. Aguardemos!