Crítica: Batwoman se leva “a sério demais” com estreia fraca

Quem é Batwoman?

No ano de celebração dos 80 anos do Morcego mais famoso do mundo, o seu universo nunca esteve tão em alta. O Universo do Batman, herói de Gotham City, teve um ano emocionante na televisão: passando do fim de Gotham, série focada no Detetive Gordam até o lançamento de Pennyworth, do mordomo fiel, Alfred. Na onda de uso dos conhecidos personagens que cercam o Cavaleiro das Trevas, chega nas telas da CW, Batwoman.

A série, focada em uma das personagens mais antigas do cânone do Morcego, tenta se destacar dentre as demais do ArrowverseArrow, Flash, Supergirl, Legends of Tomorrow – ao adotar um tom mais sério, certamente uma característica da nova onda de séries da DC, como Titans. Aqui, contudo, esse estilo falha, cometendo o primeiro erro de uma série voltada a um público tão específico como a de Batwoman. Portanto, ela se leva a sério demais.

Heroína de Gotham City

Em uma ambientação que não parece uma série do canal adolescente, Batwoman nos apresenta Kate Kane, uma personagem pouco trabalhada, mas que finge a todo custo ser complexa. A atriz, pouco habilidosa, tenta seu melhor, e ninguém há de discutir isso. Porém, as escolhas feitas para ela tomam uma direção um tanto destoada do ambiente, a tornando uma caricatura ainda maior em um universo já caricato.

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Ruby Rose dá vida a Kate Kane, protagonista de Batwoman. Imagem: CW/Divulgação.

Desde o primeiro instante, Batwoman escolhe nos mostrar o Batman. Excessivamente. O peso do herói é grande e sua presença sempre será sentida – sendo obvio em séries como Titans. Todavia, ligar o nome do herói tão cedo com tanta ênfase à heroína faz com que sua presença seja enfraquecida. Talvez o exemplo de Supergirl deveria ser seguido. Na série, o Superman é pouco citado na primeira temporada, fazendo uma aparição mais incisiva somente nos últimos episódios. Seu rosto só seria visto no primeiro episódio da segunda temporada. Kate, que já sofre de uma personalidade fraca, não pode se dar ao luxo de ser uma versão menos interessante do Batman.

Mais uma série do Arrowverse

O piloto da série de Kate Kane é satisfatório dentro de sua proposta. A protagonista tem seus problemas, mas os personagens que a cercam ao longo da trama não fazem feio. Envoltos em um ambiente de exageros – ao qual o público da CW já está muito bem acostumado -, os personagens funcionam. Não pode se esperar grandes envolvimentos emocionais do público com essa configuração narrativa, mas poderemos ter surpresas positivas ao longo do caminho.

O esquema de herói + ajudante foi mantido e não deixa a desejar aqui. Luke Fox, filho do personagem Lucius Fox, conhecido ajudante do Batman, é o sidekick de Kate na trama. O jovem, que aparentemente é o único a conhecer o segredo de Bruce Wayne nessa caótica Gotham City, aceita – com uma surpreendente facilidade – ajudar a garota em sua missão repentina de se tornar uma vigilante. Poucos pontos para o roteiro, mas alguns para a simpatia.

Ao contrário do que o senso comum pode apontar, as cenas de ação não são o carro chefe da série, como em Arrow. Tão pouco é a ficção, como em Supergirl ou Flash. Logo, Batwoman não sabe ainda no que apostar e no que é seu forte. Dos pilotos da casa, talvez seja o mais fraco e o que menos deixa claro o estilo que será abordado ao longo da enorme temporada das séries da DC no CW.

Batwoman é mais uma tentativa de emancipação de um dos personagens do Universo Batman. Ainda não se pode afirmar sua qualidade de forma objetiva, mas certamente o que foi apresentado como primeiro episódio dessa aventura não deixa o público com gosto de quero mais. Agora, só resta torcer para que o futuro seja bom com Kate Kane!

Nota do episódio7
Crítica do primeiro episódio de Batwoman, nova série da CW que faz parte do Arrowverso.
7
Guilherme Bezerra

Guilherme Bezerra

Estudante de jornalismo (em breve), 17 anos e fã de séries antes mesmo de entender muita coisa que elas mostravam. Aprendi inglês com How I Met Your Mother e a amar viagens no tempo com Doctor Who.

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